São Paulo no meu coração

Cheguei a São Paulo por volta de 1950, vindo da cidade de Joinville – Santa Catarina. A copa do mundo estava se realizando, para deleite dos apaixonados do futebol.

Vim para a capital paulista de avião, um avião scania que no trajeto de Joinville para São Paulo. Ele balançou muito e fez com que eu tivesse uma viagem desastrosa, passando muito mal. Nunca tinha estado em um avião e, para piorar, chovera muito então ele balançava bruscamente.

Enfim chegamos a Congonhas, já em terra continuava meio tonto, pois era um pequeno garoto de sete anos de idade. Para mim, tudo era novidade, mas um pouco estranho.

Minha mãe viúva já estava acostumada. Como não tinha lugar para eu ficar, pois seria submetido a uma operação de braço, que quebrara no sitio de meu avô lá em Joinville.

Mamãe trabalhava como empregada em uma casa no bairro Bela Vista e nessa casa não tinha lugar para mim, pois a patroa não admitia crianças. Então fui internado em um colégio na Vila Formosa, ficando neste internato por alguns anos.

Tenho saudades do Bexiga, da igreja Achiropita, das escadarias da Rua dos Ingleses. O Bexiga era romântico com suas cantinas italianas, o vinho, as massas… Que pena que tudo acabou.

Mamãe casou-se novamente com um simpático italiano que morava na Bela Vista, antes, porém, fiquei morando com um casal de idosos no Bairro da Pompéia, perto do campo do Palmeiras daí o motivo de eu ser palmeirense devido ao italiano do padastro.

Certo dia mamãe e meu padastro vieram me buscar para morar no bairro da Casa Verde. Lá passei bons momentos: ia ao cinema onde passavam filmes de mocinho e bandido, e a gente na inocência vibrava. Ir à igreja com a mãe de meu padastro que morava com a gente, Dona Gilda, era obrigação todos os domingos.

Tenho muitas saudades da Pompéia e da Casa Verde. Fazia muitas amizades… Era tão bom aqueles momentos… Pena que tudo passa

Depois da Casa Verde fomos morar na Ponte Pequena, em 1954. Comemorava-se o Centenário de São Paulo e muitas festividades ocorreram. Era um excelente local, o progresso ainda não tinha chegado, a Cama Patente tinha a sua fabrica e a gente ficava deslumbrado com as indústrias. O lazer da bola de borracha em um campo improvisado, em plena Rua Tiradentes, nem passaria pela minha cabeça que hoje no local teria a estação Armênia…

No começo de 1955 fomos morar no bairro de Santana, e depois nos mudamos para o Chora Menino, local que passamos parte de nossas vidas.

Hoje casado, com mãe e padastro, e avós falecidos, estou morando na cidade de Ribeirão Pires no ABC. Tenho dois filhos que nasceram em São Paulo. São Paulo que em seis de janeiro de 1950 me recebeu de braços abertos. Lá se vão 60 anos!

São Paulo sempre estará no meu coração…

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