Vinte e cinco de julho de 1998 é, com certeza, o dia mais feliz da minha vida. Por que? Nessa data tão especial mais uma paulistaninha nasceu. Minha amada filha Letícia, que me dá tantas alegrias, emoções e regozijos . Não tenho palavras para descrever o sentimento quando a vi nascer. Naquele sábado pela manhã estávamos todos eufóricos. Eu, minha cunhada e meu cunhado aguardávamos ansiosos na sala de espera da Maternidade Santa Joana, no Paraíso. O parto seria cesariana e todos os procedimentos já haviam sido feitos. Minha esposa tomou a anestesia e dentro em pouco São Paulo receberia mais uma filha querida. Já que era minha primeira experiência como pai várias pessoas me aconselharam a não assistir o parto, pois poderia desmaiar de emoção. Alguns minutos antes do nascimento minha cunhada chegou para mim e disse que aquele era um momento único, que eu não poderia perde-lo de forma nenhuma. Resolvi que iria assistir o parto. Acertamos o pagamento e subi rapidamente para a sala de cirurgia. Troquei de roupa, às pressas, coloquei avental, touca e uma máscara cirúrgica. Com a câmara fotográfica em punho entrei apressado na sala, quase tropeçando, nos cabos e equipamentos, mas deu tempo de acompanhar o nascimento de Letícia.
A gente fica bobo nessa hora. Comecei a tirar fotos em série assustando minha pequena com os flashs. Minha esposa, também muito emocionada, perguntava como nosso bebê estava. Se ela tinha todos os dedinhos, se era "perfeitinha", etc. Nessa hora, realmente, nós perdemos a noção das coisas. Poucos minutos depois desci para a sala de espera e dei as boas novas para meus parentes recebendo cumprimentos dos outros pais que também aguardavam o nascimento de seus filhos. Letícia foi a primeira a ir para o berçário. Quando a vi não agüentei. Comecei a chorar copiosamente querendo confortá-la nos braços, mas estava separado dela pelo vidro do berçário. Um médico que ia passando veio me socorrer perguntando o que estava acontecendo. Disse para ele que era minha filha quem estava ali na minha frente e eu sem poder pegá-la. O doutor entendeu minha emoção e me deu os parabéns. Eu o abracei de forma abrupta e agradeci. Hoje minha filha já tem oito anos e é a razão do meu viver. Tenho certeza que nossa querida São Paulo será tão generosa para ela quanto é para mim, pois não há lugar melhor do que a terra em que se nasce.