Dia desses, minha filha Rebeca veio contar uma boa ideia, de como "montar" belos ovos de páscoa por um preço interessante, e enquanto ouvia a narrativa esfuziante vinda de uma sagitariana nata, conectei-me com outra Páscoa ocorrida há muitos anos atrás.
Claro que tinha como protagonista Dna. Neide, mãe zelosa e criativa quando o assunto eram datas comemorativas, que no calendário dela saltava aos olhos: Natal, Carnaval e Páscoa.
Esta Páscoa deve ter ocorrido em 1963. Os sortudos da vez, como sempre, eram minha irmã Neusa, meu irmão João e eu. Minha irmã Eliane entraria para o time apenas em setembro de 64.
Dna. Neide, como sempre, arquitetava e dava vida às suas criações discretamente, pois, assim, a surpresa valia as artimanhas e olhem que até nisso era uma artista, pois nessa época lembro que morávamos em um pequeno apartamento nas Perdizes, como já narrei em outro texto, sem área de lazer. Mas minha mãe era mestra em tudo que fazia.
Voltando a esta Páscoa, como sempre, ocorria a surpresa. Primeiro, encontrar onde Dona Coelha havia deixado os regalos doces para aquela turminha no domingo de Páscoa.
Procura daqui e dali, afinal, como já disse, o apartamento não era tão grande e Dna. Coelha costumava sempre se concentrar na sala.
O primeiro que encontrava qualquer "embrulho" deveria se certificar se realmente era o seu, pois minha mãe não repetia o mimo. Cada presente era carinhosamente escolhido para o dono em questão.
Nesse ano de 63, eu e minha irmã já estávamos mais crescidas. Eu com oito e minha irmã com 13 anos, já meu irmão faria seis em julho.
O caçula logo encontrou um lindo jipe azul carregado de ovinhos multicoloridos embrulhado em papel celofane incolor amarrado com fita de cetim, também azul. Lembro da alegria de meu irmão com o seu presente.
Restava a mim e minha irmã a busca dos nossos. Quase que simultaneamente os encontramos.
Lembro que o meu estava atrás de um grande e majestoso sofá-cama em napa azul que havia na sala. Quando olhei aquele pacote em papel celofane vermelho a envolver tão lindo bauzinho feito de palha natural, cuja tampa corria pela alça fina retorcida de igual material, logo esqueci o desejo pelo chocolate.
Recordo que dentro de mim aquele singelo artesanato em forma de bolsa cravara o início de uma vaidade feliz e que se multiplicou em muitas outras, anos depois.
Hoje confesso que não posso ver tal adereço em qualquer prateleira comercial sem que meus olhos o foque e que as minhas mãos as acaricie, pois tenho certeza que uma parte de mim se volta para aquele domingo de Páscoa a sentir o quanto fui feliz, graças às reinações criativas de Dna. Neide.
Lembro também, que nesse domingo não via a hora de ir à missa, na linda e moderna igreja de Santa Rosa de Lima, na Tua Apiacás com minha bolsinha cheia de ovinhos coloridos.
Ah! Minha irmã também ganhou uma linda bolsa, mais elaborada quanto à forma e material que lembrava uma lamparina japonesa.
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