São Paulo – formada também pelo êxodo rural

Sou do interior, nascido em Iacanga em 1947. Nos anos 60, São Paulo era o paraíso das oportunidades e progresso – acredito que até hoje. Na época, todos que queriam crescer buscavam o “Eldorado” em São Paulo.

Vi muita gente ir e crescer, até diziam que quando viravam a esquina, ninguém mais lhe conhecia.Minhas primas, amigas e outras familiares, professoras recém formadas, também partiram para este Eldorado, em busca de casamentos, fama, dinheiro e sucesso. Engraçado, pois não deu muito certo.

Eu particularmente acho que aqui se ganha bem, mas não se vive…O tempo passa e você não vê; é uma selva de pedra. Eu, como sempre fui um progressista material e espiritual, também fui tentar São Paulo. Fiz mestrado nos anos 70; mas, para falar a verdade, fui já com dinheiro e com prestígio de jovem advogado.

“Curti” a R. Augusta, Av. Paulista, os jardins, o começo da Vila Madalena, o samba de fundo de quintal, os teatros de São Paulo, os shows -até vi o do Gonzaguinha, além dos artistas da globo, todos jovens e possuidores de “Brasília creme”, mustangs, citroens, porches e eu com meu “karman ghia” vermelho.

Mas um dia caiu a ficha e vi que São Paulo era ilusão de vida… Ninguém conhece ninguém (só meia dúzia), vive-se fechado e nem o vizinho da frente quer te conhecer; tudo é longe e demora.

É uma cidade onde você pode até se dar bem, mas, se você ganha, não leva; se morrer ninguém mais lembra de você. A gente passa a ser uma formiga dentro de um grande formigueiro.

Mesmo assim a cidade tem suas compensações: Viva São Paulo – terra das oportunidades e do sucesso.

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