Conto uma história que foi marcante para mim: naquele tempo, eu e minha mãe íamos ao centro da cidade sempre; eu era o seu companheiro, já que minha irmã não tinha paciência de ir a todos os lugares que ela queria, pois, na maioria das vezes, era para pagar contas, ir a bancos ou comprar remédios na drogaria do Farto, na Rua Benjamin Constant.
Um belo dia fui ao centro Novo de São Paulo, exatamente na Rua Barão de Itapetininga, e avistei um prédio muito parecido com os dos filmes americanos, imponente que se destacava na esquina. Logo vi escrito Mappin, entramos lá e, apesar de eu não conhecer o lugar, foi como se eu já conhecesse aquela construção. Fiquei apequenado diante dela e pensei como pode ser tão imponente e destacar-se dos outros.
Desde que o vi, ia com minha mãe tomar um café da tarde, um lanche rápido ou fazer compras. Tinha o famoso hambúrguer com fritas que acabava de ser lançado no Brasil (coisa de americano ou inglês), já que o Mappin era de origem inglesa.
Até hoje o prédio fica lá mesmo, sem logotipo do Mappim. Eu olho para o relógio que marcou o meu tempo tantas vezes… Hoje, quando passo por São Paulo, gosto de ver aquele prédio e lembrar de minha infância. Ele ainda fica lá, imponente e em destaque frente os outros edifícios.
Fico, às vezes, parado; lembrando dos enfeites de natal que compunham a paisagem de cores que se destacava ainda mais dos demais edifícios. Se o prédio do Mappin não estava enfeitado, não era ainda a época do Natal. Via crianças como eu, com os olhinhos brilhando de felicidade ao ver o Papai Noel, que era escolhido a dedo, para nos impressionar e fazermos acreditar que ele existisse. Ficava um ar de poesia e felicidade que contaminava a cidade, pois todos iam a noitinha, pelo menos, passear por lá para se sentir um pouco mais entusiasmado com aquela verdadeira sensação de felicidade.
Um dia, nesta época natalina, eu fui falar com o Papai Noel para que eu ganhasse um postinho da Estrela, pois essa marca significou muito para mim. Acreditei que ele iria me atender, o que foi verdade… Minha mãe me deu um embrulho em uma caixa e pediu que eu a ajudasse a carregar, mal ou bem, sabia eu que, no meu colo, estava o meu presente de Natal!
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