O Club Piratininga, quando tinha sua sede na Rua Formosa, realizava todos os bailes de carnaval nos salões do Fasano, na Avenida Paulista; ficava no primeiro andar, com um lindo terraço de frente para avenida. Ficava acima do restaurante, era totalmente independente do restaurante, sempre foi um baile muito tranquilo.<br><br>Até que certo domingo de carnaval, eu e muitos amigos nos envolvemos numa briga generalizada, foi uma pancadaria total. Acabamos todos presos, e fomos para o Pátio do Colégio, onde era a delegacia<br>central. O delegado queria saber o que tinha acontecido, e o porquê da briga toda. Uma mulher da outra turma alegou que jogaram um copo no meio do salão e acabou caindo na sua cabeça; ela pensou que tinha sido um amigo nosso, e avisou o seu pai, que logo começou a dar pancadas no meu amigo. Aí todo mundo partiu para a briga.<br><br>Na delegacia, foi uma confusão geral, todos queriam ter razão, o delegado falou que a lei previa que todos ficassem presos até a quarta-feira de Cinzas ao meio-dia. Ficamos todos apavorados.<br><br>Na nossa turma, tinha um colega que era tenente do exército e o delegado o liberou. Porém, ele disse: “Ou saem todos ou não sai ninguém!”.<br><br>Eu liguei para o meu irmão, que era agente do Dops na época, e ele ligou para o delegado. Conversaram vários minutos, e o delegado mandou que todos esperassem na sala da delegacia. Depois de mais de uma hora de espera, o delegado liberou todos; foi saindo um por um. Quando chegou a minha vez, o delegado me deu um pontapé na bunda que eu caí no chão, ele disse: “Foi o seu irmão que mandou dar o pontapé na sua bunda para você aprender a não brigar mais nos salões de baile!”.<br><br>Era de madrugada, nós não tínhamos condução, e era difícil pegar um táxi em plena madrugada de Carnaval… Eu morava na Rua da Consolação e tivemos que andar a pé até chegar em casa. Eu estava com uma dor na bunda devido ao pontapé que o delegado tinha me dado. Chegando em casa, o meu pai já estava sabendo da briga: meu irmão tinha avisado que eu fui preso.<br><br>Mas no dia seguinte, era outro dia, segunda-feira de Carnaval e lá fomos nós a noite dançar no Fasano! Chegamos à porta do baile, o porteiro falou que estávamos suspensos até segunda ordem. Mandamos chamar o diretor do club. Nós sabíamos que ele era venal; falamos com ele, acertamos o preço e ele cancelou a suspensão na hora e fomos todos felizes pular o resto dos dias do Carnaval no Fasano. <br><br>E-mail:[email protected]