(Turma do Braz contra os "coca-cola") (parte 1)<br><br>Peço a todos a gentileza de compreenderem a situação de uma família enorme, como a minha; meus pais, Bartholomeu e Felícia, com nove filhos (eu o 7º), apesar de morar a 5 ou 6 quilômetros da Praça da Sé, não posso, aqui, registrar escolas, colégios, universidades, que poderia ter frequentado e que, além dos quatro anos no G.E. Romão Puiggari e, por seis meses, apenas, a Escola de Comércio "30 de Outubro", não tive outra escolaridade.<br><br>Nos meus sonhos de juventude, sempre ambicionava fazer uma faculdade e, já que sonhar não custa nada, sonhar por sonhar, só me colocava na melhor, que era (ainda é) a USP. Vim realizar este sonho depois dos sessenta anos, quando, por dez anos, fiz cursos da Terceira Idade, com aulas de história universal, pintura, música e jornalismo.<br><br>Nos comentários que habitualmente faço, nunca menciono noitadas de bailes de formaturas, bailinhos de fim de semana, etc. como a maioria dos meus colegas. Não que não gostasse, porém, não sabia dançar, uma "dureza" eterna sem ir a um baile, como aprender a dançar e, por uma destas infelicidades vergonhosa, era tímido demais. Sofri muito por isso.<br><br>Trabalhando durante o dia, durmo quase todas as aulas à noite, principalmente a de caligrafia, do prof. João Alegretti, com o caderno do De Franco; boníssima pessoa, e seu outro irmão, prof. Oswaldo Alegretti, de matemática, falecido prematuramente, os dois irmãos do dono da escola, Derville Alegretti.<br><br>Por ironia do destino, comecei como desenhista na Shelmar Embalagens desenhando letras. Hoje, sem falsa modéstia, tenho uma letra muito bonita. Isso ocorre nos anos "cinzas" de 1940 a 1944. A Segunda Guerra Mundial termina e eu estou com 8 a 12 anos, já trabalhando.<br><br>O que ajudou muito foi eu ter contato com os "gibis" da época; adoro ler e, por muito tempo, meus "livros de cabeceira" eram os gibis: Globo Juvenil, O Lobinho, O Guri, O Mirim, os almanaques anuais. Depois, os livros de histórias juvenis: Emílio Salgari, Júlio Verne, Alexandre Dumas, Monteiro Lobato. E posteriormente, revistas policiais, Dectetive, X-9, Mistério Magazine do Ellery Queen; romances de aventuras, mistérios, suspense, históricos etc.<br><br>Lia e leio até hoje bons romances. Já posso descartar escritores muito populares como Sidnei Sheldon, Dan Brown, etc., fabricantes (aliás, bem sucedidos) de emoções baratas. Como literatura, nenhum bate "Os doze trabalhos de Hércules", do Monteiro Lobato.<br><br>Tanto na música como na leitura, devo a meus irmãos Vito e Santo, já falecidos, o amor por estes dois entretenimentos. Vito tinha uma biblioteca de cair o queixo, ele era contador e um inveterado leitor de romances. Só gostava de ficção, como eu, até hoje. O Santo tinha as melhores coleções de concertos sinfônicos, operas completas, músicas de balet, populares, italianas, principalmente. Todos os discos em 78 rotações, falecendo, prematuramente, poucos anos depois dos lançamentos em LP.<br><br>Pode-se imaginar como devia ser reforçada a discoteca.<br><br>Como recebi observações por me alongar muito nos meus escritos, aguardem a segunda parte.<br><br>E-mail: [email protected]