Domingo de Sol na Represa

Lembro-me como se fosse hoje, os muitos domingos de sol que passávamos na beira da Represa de Guarapiranga.

Para chegar lá já era uma aventura, não havia a Marginal Pinheiros, íamos pela Avenida Santo Amaro, passávamos pela estátua do Borba Gato e sempre no sentido de Santo Amaro, depois já na Avenida Guarapiranga, que era ladeada por grandes pés de eucaliptos, entrávamos em uma ruazinha de terra, dávamos algumas voltas até chegarmos a portaria do Clube do Banco Comercial do Estado de São Paulo (depois de muita pesquisa no Google Maps descobri que hoje funciona lá o Clube ASBAC dos funcionários do Banco Central).

Depois de plenamente identificados e a Kombi estacionada, saía correndo pelas alamedas do Clube até chegar à beira da represa, subia no ancoradouro, às vezes molhava os pés naquela água fria, que para uma criança parecia um mar.

Durante o dia invariavelmente víamos aquele hidroavião vermelho escuro sobrevoando a represa, sempre tive vontade de andar nele e nunca consegui e agora eles estão aposentados (li em algum lugar que eram dois), sonho que provavelmente nunca será realizado.

Passeios de lancha, churrasco no bosque do próprio clube, pescaria nas margens da represa, faziam parte dos nossos domingos, que acabaram quando o banco foi extinto e o clube foi mudando de dono, até expulsarem os antigos sócios.

No final da tarde eu adorava acompanhar o vai e vem do guincho que rebocava os barcos até a garagem náutica, os barcos eram guardados para serem usados novamente no próximo final de semana.

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