Ao fazer 18 anos, e ficar noiva, realizei um sonho que tinha desde menina: ir a uma boate. E foi na boate Lord, localizada no Hotel Lord, no Largo do Arouche perto da São João, que, a convite de um cunhado, esse sonho foi realizado. Foi uma tripla comemoração: meu noivado, meus 18 anos e o fato de poder, então, frequentar um lugar como esse.
Nessa noite dancei ao som da orquestra de Tommy Dorsey! Era dezembro de 1951. Foi simplesmente memorável. Como meu noivo (depois meu marido) adorava dançar, a partir daí não paramos mais de ir a boates, principalmente na Oasis. Ela ficava na 7 de Abril, quase esquina com a Ipiranga, numa espécie de subsolo de um edifício de apartamentos, Edifício Esther, se não me engano. Lá na Oasis se reunia a fina flor da sociedade paulistana, liderada pela "locomotiva" da época: Sra. Bia Coutinho, uma mulher muito alegre, sempre rodeada por uma turma de amigos, estava sempre na boate. E lá se apresentavam Cauby Peixoto e seu irmão Moacyr e, se não me engano, lá também cantaram Ângela Maria e Maysa.
Eu frequentava, também, um restaurante dançante: o Jardim de Inverno Fasano, que ficava na rua Brigadeiro Tobias – por mais incrível que possa parecer hoje!
Mais tarde, já nos anos 60/70, íamos muito ao Beco, na Bela Cintra, onde teve início a carreira da cantora Simone, na época conhecida como a "jogadora de basquete (ou vôlei?) que canta". No Beco, era engraçado: tinham uns shows para turistas, onde dançarinos negros se vestiam como indígenas ou africanos, e dançavam músicas um tanto exóticas, o que deixavam os turistas de boca aberta! Isso nos divertia bastante.
Já nos anos 70, o negócio era dançar nos "sambões", casas especializadas em samba: Igrejinha, Catedral do Samba e Cartola – localizadas no Paraíso, Bela Vista e Santa Cecília, respectivamente – eram as nossas preferidas. Mas, depois dessas, paramos de frequentar esses lugares: não havia mais condições…
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