Em 25 de janeiro de 1954, a nossa querida cidade de São Paulo completaria o seu 4º Centenário. Todos os preparativos foram feitos a fim de que a aniversariante fosse homenageada esplendorosamente. Brecheret, dezenas de anos antes, esculpia o monumento às Bandeiras; o Obelisco era construído para se homenagear os valentes soldados defensores da nossa terra, durante a revolução de 1932, quando meio Brasil veio contra ela para que ela não se emancipasse, deixando o resto sem a sua locomotiva de tração ao progresso.<br><br>Numa área reservada entre as ruas França Pinto, Avenida República do Líbano, Avenida Brasil e as linhas dos bondes com destino à Moema, Brooklin e Santo Amaro, hoje Avenida 4º Centenário e continuando o Viveiro Manequinho Lopes, foi construído o Parque do Ibirapuera.<br><br>Nos anos que antecederam a sua conclusão, eu e o meu fiel companheiro, o Rin-tin-tin, assim que eu chegava da escola e concluía as lições e os trabalhos de ajuda à minha avó, nós íamos até aquela área assistir aos trabalhos de terraplanagem e à construção de cada um dos pavilhões de exposições e aqueles que pertenciam a indústrias que, após a inauguração do parque e durante as comemorações, os usaram como balcões de propaganda dos seus produtos. <br><br>Quantas coisas eram novidades para mim e que conheci durante aquela festa… O pavilhão japonês com suas coisas típicas trazidas do Japão, e aquele lindo jardim com plantas e toros impares; a Oca, aquele pavilhão redondo, em forma de cogumelo, tinha em seu interior o museu da aeronáutica mostrando uma réplica do 14 BIS, o hidroavião Jahu e equipamentos aeronáuticos, os pavilhões destinados às artes com exposições em pleno funcionamento, os de nações ligadas á nossa cultura, e muito mais.<br><br>Os parques de diversão que se instalaram lá eram maravilhosos, os espetáculos deixavam o público boquiaberto. Dois alemães, dentro de um grande tubo andavam de motocicletas em sua parede fazendo malabarismos. Depois, um deles a bordo de um Volkswagen também corria na vertical, subindo por aquela parede do tubo. Tinha também o tapete mágico: o público subia ao alto de uma torre, em pé sobre uma esteira deslizante e de lá desciam por uma espiral escorregando sentado sobre um tapete que parava dentro de uma bacia. Ao saírem, deixavam lá os tapetes que os moleques, inclusive eu levavam até o local de embarque na esteira, com direito a uma subida e deliciosa descida. Os estandes de tiro ao alvo tinham área para atirar com estilingue. Eu era craque com aquela arma e levava sempre um prêmio para casa.<br><br>A grande marquise, com seu piso muito bem cimentado, foi uma pista de patinação maravilhosa, ali eu aprendi e muito pratiquei essa brincadeira, até num dia em que eu lá estava e havia deixado minha avó só sem casa, ela caiu e fraturou um braço, como castigo, fiquei sem os patins, que não sei que fim eles tiveram.<br><br>O planetário foi uma atração posterior e que ainda é algo que todos os cidadãos deveriam ver, para em uma hora ver coisas espetaculares que nos passam despercebidas no dia a dia, do anoitecer ao amanhecer, pois somos muito pequenos nesse universo tão grande.<br><br>Esta herança maravilhosa que temos desta esplendorosa cidade de São Paulo, foi só mais uma obra do nosso governador Lucas Nogueira Garcez.<br><br>Não deixe de conhecê-la; vindo à nossa São Paulo, vá ao lindo Parque do Ibirapuera, sente-se numa sombra, leia um livro à beira dos seus lagos, ande por suas pistas especiais para caminhadas, leve o seu cãozinho para brincar, traga sua bicicleta e as da sua esposa e dos seus filhos, aqui tem áreas e faixas reservadas para elas, sente-se na beira de um dos lagos e espere a noite cair, olhe a grandiosidade e beleza desta cidade ao ascender da luzes.<br><br>Oh! Minha cidade, em ti só não é feliz quem não quer ser.<br><br>E-mail: [email protected]