Rua Professor Batista de Andrade – Brás

Como falar da minha infância e mocidade, da minha rua e do meu bairro, dos meus sonhos e da realidade, sem ficar emocionada e, em consequência, às vezes sorrir e outras chorar?

Não, realmente, não é utopia dizer que recordar é viver duas vezes, porque, ao longo de nossa existência, aquilo que foi bom, recordaremos milhares de vezes.

Nenhuma outra rua do Brás e, talvez, de São Paulo e, quem sabe, do Brasil, foi tão vibrante como a Rua Professor Batista de Andrade – a minha doce e querida rua.

Ali, não sei o porquê, mas os sorrisos eram mais abertos, os risos mais alegres, as pessoas (desculpem-me se estou exagerando) mais inteligentes e simpáticas, as discussões mais barulhentas, as paixões mais avassaladoras e, no meio disso tudo, os jovens eram mais ingênuos e menos maliciosos.

Minha rua podia ser todas as coisas: a mais amada, desejada, alegre, triste, pobre, incrível, feliz, dependendo dos olhos de quem a observava.

Uma estatística feliz: seus jovens, hoje beirando a terceira idade, na sua grande maioria, tornaram-se pessoas de destaque, bem-sucedidas na vida. Só Deus pode saber qual foi a mola propulsora que os fez galgar tantos degraus ao mesmo tempo!

Eu só sei dizer que minha rua era linda, tão incrivelmente linda, que um poeta teria que inventar palavras para descrevê-la!

E-mail: [email protected]