1984, vim de longe, distância percorrida no lombo de um ônibus ,53 horas. Tique taque, a estrada me levava cada vez mais longe da minha cidade natal e me trazia cada vez mais perto de minha cidade São Paulo.
Sampa: "deselegância discreta", da garoa, da fumaça, tique taque. Dos centros culturais, cinemas, jardins e parques, tique taque, coração acelerado, migrado, sem parentes no terminal.
Marginal, percorrida lentamente, larga avenida e trânsito parado,tique taque. A boca aberta de espanto, de dor, e a cidade assim me encontrando, se revelando, se mostrando em altos edifícios, aglomerados de favelas.
Aquela profusão! E num só olhar, eu soube que toda aquela grandiosidade, caberia inteira dentro de mim e estaria para sempre atada e atrelada aos meus sonhos e projetos pessoais.
Qual mulher apaixonada, eu insisto em não enxergar os defeitos dessa metrópole, que me acolheu, me recebeu, como se fôssemos velhas conhecidas, e em troca, dei-lhe também o meu melhor, trabalhando e contribuindo de forma significativa na formação de tantos pequenos, sejam eles, paulistanos, nordestinos ou estrangeiros que passam por aqui.
Agora, lá se vão 26 anos e eu ainda mantenho aquele mesmo olhar de encantamento, quando ando pelas ruas da cidade, na São Paulo nova e na São Paulo antiga, e o centro então, oh que emoção! E é lá, naquele conglomerado, que retrata os mais diferentes jeitos de ser paulistano, que construí o meu lar, e onde tantos dizem violento, eu digo: São Paulo, minha casa!
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