Os Jograis de São Paulo

Desde criança, eu já gostava de poesia. Ainda estudante de grupo escolar, já sabia de cor “Meus oito anos” de Casimiro de Abreu. À medida que fui crescendo, lia Olavo Bilac, Castro Alves, Álvares de Azevedo, Vicente de Carvalho e tantos outros.

Mais tarde conheci os modernistas e admirava Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana. Muitas vezes sussurrei versos desses poetas aos ouvidos de minhas namoradinhas e os resultados eram surpreendentes.

Tudo isto para lhes dizer, queridos leitores do SPMC, que dias atrás, procurando um poema de Manuel Bandeira no Google, deparei-me com Os Jograis de São Paulo interpretando “O Dia da Criação” de Vinicius de Moraes no YouTube.

Fiquei emocionado. Ouvi-os certa vez declamando “José (e agora, José?)” de Carlos Drumonnd de Andrade, que ficou para sempre em minha lembrança.

Os Jograis, seguindo uma tradição milenar, são grupos de pessoas que se reúnem para declamar poesias, dando-lhes ritmo e harmonia. Esse quarteto fundado em São Paulo por Ruy Affonso em 1955, fez grande sucesso nos anos 50, 60 e 70. Existiram várias formações e atores famosos, em diferentes épocas; participaram do mesmo: Armando Bogus, Raul Cortez, Carlos Zara, Ítalo Rossi, Rubens De Falco e muitos outros.

Não fizeram sucesso somente no Brasil, mas também em Portugal, no México e em alguns paises da África. Gravaram alguns discos (verdadeiras raridades), apresentaram-se em televisão e em teatros e o repertório de extremo bom gosto ajudou a popularizar a arte de Dante e Camões.

Não sei se algum de seus ex-integrantes ainda vive para receber as homenagens dos amantes da poesia pelo inestimável serviço que prestaram à cultura de nosso país. Eles merecem!

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