Nasci, cresci e ainda moro na Vila Gumercindo. Lembro-me daqueles bons tempos da minha infância e juventude. Vila Gumercindo era praticamente um vilarejo habitado por portugueses e alemães.
Lembro-me que havia, na Rua Dom Sebastião do Rego, a sede do Cruzeiro Paulista F.C, quase em frente à Rua Dom Lucio de Souza. O campo do Cruzeiro era onde agora é a Avenida Ricardo Jafet, entre as ruas Luis Góis e Rua Santa Cruz. Lá a turma de garotos ia assistir jogos de futebol aos domingos. E para ir ao campo de futebol, passávamos por uma pinguela de madeira sobre o riacho do Ipiranga.
Naquele tempo, a água era limpa e havia peixes, por incrível que pareça. Lembro que no começo da Rua Dom sebastião do Rego, onde agora é o Pireus, havia uma casa onde morava o Sr. Francisco; ele passava pelas ruas com a sua carroça vendendo bolachas e biscoitos. Era tudo com carroças: o leiteiro, peixeiro, padeiro e o lixeiro.
Havia também um senhor que vendia roupas; ele gritava assim: "Meias, camisas e meias!". Tinha também o afiador de facas, o realejo com o papagaio que tirava a sorte.
Na Sebastião do Rego havia a padaria "5 Coroas" bem em frente à Rua Dom Pedro Silva. Na esquina da Dom Pedro Silva com a Dom Lucio de Souza, havia o açougue do Paulino, a venda da Dona Luiza, e mais abaixo, em direção da Dom Antonio de Alvarenga, o sapateiro Sr. Prado. Todas as ruas eram de terra; não havia iluminação pública e água, só de poço.
Eu e a maioria das crianças aprendemos a ler e escrever no Externato Nossa Senhora do Rosário, que era na Avenida Suzana, encostado na linha de força da Eletropaulo. A diretora era a Dona Abadia e as professoras eram as suas duas filhas, se não me falha a memória, dona Marta e dona Ângela. E agora, no local do externato, tem um prédio lá.
Na barroca, como era chamada por nós o atual fundo do vale, havia uma queda d’água onde a garotada tomava banho depois de jogar futebol no campinho.
Agora a Vila Gumercindo está perdendo seu encanto e magia… As casas sendo demolidas para dar lugar aos prédios… Que saudades da “Vila Gugu” daqueles tempos.
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