1924 – São Paulo, cidade bombardeada

Decorria o ano de 1924 quando ocorreu o levante que originou em muitas mortes na cidade de São Paulo. Oficiais do exército contrários ao governo do então Presidente da República, o mineiro Arthur Bernardes, deflagraram um movimento nacional que, em São Paulo, resultou na derrubada do então presidente do estado, Carlos de Campos. O governo federal reagiu e acabou massacrando a população da cidade.<br><br>A revolta demorou 23 dias e deixou como saldo 503 mortos e 4846 feridos, em sua maioria, civis. Casas destruídas, ruas e avenidas esburacadas, autênticas crateras pelas exposições das bombas.<br><br>Preocupados com a amarga e, então, recente experiência de Canutos, vila sertaneja que resistira de casebre em casebre a investida do exército, os oficiais estavam convencidos de que só pelo amassamento inicial de grande parte da cidade, com ação conjunta de aviões e artilharia, seguida do ataque às trincheiras pelos carros de assalto, complementado pela baioneta, na luta corpo a corpo, seria possível esmagar o levante paulista.<br><br>Comandada pelo general reformado Isidiro Dias Lopes, a revolta teve a participação de numerosos tenentes, entre os quais Joaquim Távora (que faleceu na revolta), Juarez Távora, Miguel Costa, Eduardo Gomes, Indio do Brasil e João Cabanas.<br><br>A Revolta Paulista de 1924, também chamada de “Revolução Esquecida”, "Revolução do Isidoro", "Revolução de 1924" e de "Segundo 5 de julho", foi a segunda revolta tenentista. Foi o maior conflito bélico já ocorrido na cidade de São Paulo.<br><br>Deflagrada na capital paulista em 5 de julho de 1924 ( 2º aniversário da revolta dos 18 do forte de Copacabana, primeira revolta tenentista), a revolta ocupou a cidade por vinte e três dias, forçando o presidente do estado, Carlos de Campos, a fugir para o interior de São Paulo, depois de ter sido bombardeado o Palácio dos Campos Eliseos, sede do governo paulista na época. No interior do estado de São Paulo aconteceram rebeliões em várias cidades, com tomada de prefeituras.<br><br>Os revoltosos entraram em contato com o vice-presidente do estado, Coronel Fermando Prestes de Albuquerque, em Itapetininga convidando-o para assumir o governo revolucionário em São Paulo. <br><br>O Coronel Prestes, que já organizara um batalhão em defesa da legalidade, na região da estrada de ferro sorocabana, respondeu aos revoltosos: A Cidade de São Paulo foi bombardeada por aviões do governo federal. O exército legalista (leal ao presidente Artur Bernardes) utilizou-se do chamado "bombardeio terrificante", atingindo vários pontos da cidade, em especial bairros operarios como Brás, Belem, Mooca e de clase média como Perdizes (distrito de São Paulo).<br><br>Sem poderio militar equivalente (artilharia nem aviação) para enfrentar as tropas legalistas, os rebeldes retiraram-se para Bauru onde Isidoro Dias Lopes ouviu notícia de que o exército legalista se concentrava na cidade de Três Lagoas no atual Mato Grosso do Sul.<br><br>Isidoro Dias Lopes e Juares Tavora planejaram, então, um ataque àquela cidade. A derrota em Três Lagoas, no entanto, foi a maior derrota de toda esta revolta. Um terço das tropas revoltosas morreu, feriram-se gravemente, ou foram capturadas.<br><br>Vencidos, os revoltosos marcharam, então, rumo ao sul do Brasil, onde, na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, uniram-se aos oficiais gaúchos comandados por Luiz Carlos Prestes, no que veio a ser o maior feito guerrilheiro no Brasil até então: a Coluna Prestes.<br><br>Os revoltosos foram finalmente derrotados nos primeiros dias de agosto de 1924, retornando o Presidente Carlos de Campos à capital paulista.<br><br>Um inquérito feito pelo Governo do Estado de São Paulo, logo após o fracasso do movimento subversivo de julho de 1924, detectou inúmeros casos de vandalismo e estupros no interior do estado de São Paulo, especialmente sob os olhos do Tenente João Cabanas que comandava um grupo de revoltosos, que foi denominado a Coluna da Morte. O inquérito também apurou que muitos coronéis do interior que faziam oposição ao Dr. Carlos de Campos apoiaram o movimento subversivo de julho.<br><br>O general de divisão Abílio Noronha, comandante da 2º região militar que abrangia São Paulo e Mato Grosso, acusou políticos de estarem por trás da revolta, incitando os militares a aderirem à revolução.<br><br>O General Noronha criticou também a retirada precipitada, da capital paulista, do presidente do estado e das tropas leais a ele, alegando que o governo paulista tinha condições de ter resistido e vencido os revoltosos, logo no início da revolta, e dentro da cidade de São Paulo.<br><br>Os tenentes e demais militares que participaram desta revolta e das demais revoltas da década de 1920 receberam anistia dada por Getulio Vargas logo após a vitória da revolução de 1930.<br><br>No bairro de Perdizes (distrito se São Paulo), a revolução de 1924 ainda é comemorada anualmente até hoje em dia.<br><br>Os bairros da Mooca, Belenzinho, e Brás foram os primeiros a sofrer as conseqüências cruéis desse plano. Em desespero, os moradores começaram a abandonar suas casas. As famílias mais abastadas procuravam sair da cidade, com destino a Santos, Jundiaí, Campinas, e outras cidades. Muitas, não tendo onde se abrigarem, acampavam ao ar livre, armando barracas improvisadas em locais ermos dos bairros adjacentes.<br><br>Desta forma o dia 13 de junho desse ano foi praticamente dramático para os paulistanos, especialmente para os moradores da zona leste. Os bairros da Mooca, Brás, e Belenzinho, foram atingidos por um canhoneiro tão pesado que as ruas ficaram repletas de cadáveres. Os coveiros não davam conta de cavar sepulturas para enterrar todos os mortos, o que levou muitas famílias a enterrar os mortos nos quintais de suas casas. Mais tarde, nova tragédia.<br><br>Dois carregados com bombas começaram a sobrevoar a cidade a elevada altitude, para evitar a artilharia dos rebeldes que atacaram a Mooca. A terra tremeu com as explosões, casas desabaram, muita gente morreu.<br><br>Na Rua Assumpção, bairro do Brás, vizinho da Mooca, uma das bombas do levante de 1924 fez uma vítima inocente. Quem conta é Modesto Laruccia, sobrinho da vítima que seria testemunha ocular do acontecimento.<br><br>Numa casa da Rua Assumpção, 120, morava uma família tipicamente italiana. Muita alegria, sempre aquelas músicas na base da tarantela. Carmela Laruccia, 22 anos, foi até seu quarto para fechar a janela enquanto estavam bombardeando o bairro; havia o perigo de uma das bombas explodir por ali. E foi justamente quando aquela jovem fechava a janela do seu quarto que uma bomba de forte poder explodiu bem à sua frente, matando-a instantaneamente. Como aconteceu com muitos corpos, o dela também foi enterrado como indigente.<br><br>Ela estava preparando os doces para a festa dos seus 22 anos que seriam comemorados naquele dia. O reconhecimento dela se deu através de seu avental e, depois de o corpo ser reconhecido, foi enterrado no colégio São Bento, sendo mais tarde removido para o cemitério da quarta parada.<br><br>E-mail: [email protected]