Lembranças do alto de Santana

Alto de Santana, Rua Guilherme Christtoffel. Nasci lá em 1945, passei minha infância e parte da adolescência. Rua de terra, sem iluminação pública. Nas casas havia sempre uma lâmpada (geralmente em cima do portão) que ficava acesa até que todos estivessem em casa, mas essa luminosidade não tirava a beleza do clarão da lua.

Ainda lembro da carroça que de madrugada passava entregando o pão e o leite… E algumas casas tinham caixas de correio enormes e em um dos compartimentos se lia "pão e leite", mas, quem não as tinha, sem problemas; o leite e o pão eram colocados em cima do muro, no portão. Como é que não era roubado? Ou mexido por algum cachorro ou gato? Não sei.

E havia também o Sr. Jaime, o peixeiro, também de carroça. E o homem que passava às vezes à tarde vendendo "amendoim tooooorradinho". E para chegarmos à venda do Sr. Eduardo, tínhamos que descer uma pequena ladeira íngreme, que tinha degraus com uma pequena tábua de madeira colocada pelos próprios moradores, e que servia de arrimo, mas é claro que, quando chovia mais fort,e as tabuinhas saíam do lugar e o jeito era descer deslizando ou subir agarrando-se no mato ao lado da "escada".

Na venda do Sr. Eduardo tinha de tudo: desde leite e pão, até carne, mortadela, bebidas cereais e grãos vendidos a granel em sacos de papel pardo, de 1, 2, 5 Kg. Também vendia chapéu de palha e tamancos de madeira (quem lembra deles?), que eram usados para lavar quintal.

Eu não sei quais são ou eram os limites do nosso bairro, mas me lembro muito da Padaria Moravia, que, segundo vi, ainda existe na Rua Dr.Zuquim. A Caixa D'Água, me parece que também ainda está lá, não sei se ainda está na ativa.

Domingos à tarde: matines no Cine Colonial, no bairro vizinho, Santa Terezinha, na Rua Conselheiro Moreira de Barros. Também aí a Igreja do mesmo nome do bairro, onde havia muitas quermesses que, para nós, crianças e adolescentes, eram festas imperdíveis.

A minha rua era muito bonita, casas com terrenos grandes, maioria construída em estilo europeu, já que moravam lá muitos alemães, uma família de italianos, uma família de franceses que trouxeram de sua terra mãe este estilo nas construções. Mas também havia o pinheiral, na verdade composto por muitas araucárias e pinheiros. E o trenzinho da Cantareira, que passava mais ou menos perto, e que servia de relógio despertador para muitos moradores.

Ah! O caminhão do gelo que todo dia cedo largava um grande cubo de gelo na frente do nosso portão, e que era recolhido numa bacia e colocado no compartimento próprio da geladeira.

Nós tínhamos luz elétrica, mas não sei dizer o porquê da geladeira não fabricar gelo. E o ônibus Mandaquí-Cidade, o 45. Minha rua é uma travessa da Rua Voluntários da Pátria e esse ônibus subia do Mandaquí, onde era o seu ponto final, pela Voluntários e muitas vezes, quando ainda estávamos chegando no ponto e ouvíamos o ônibus subindo, dávamos uma corridinha para não perdê-lo, e sempre chegávamos antes, pois ele subia a grande ladeira do Mandaquí bem devagar. Um ônibus antigo com nariz na frente, lembram?

Depois veio o ônibus elétrico, que era mais rápido e silencioso, e que em
dias de chuva dava choque quando se punha a mão nos canos dos bancos e nos de apoio de dentro do mesmo.

E as ruas onde todos os dias a gente passava: Rua Luiza Tolle, Rua Augusto Tolle, Rua Pedro Doll, Rua Cesar Zama, Rua Antonio de Souza, e a própria Rua Voluntários da Pátria. E as escolas: Nossa Senhora da Salete, na Rua Dr. Zuquim, onde completei meu curso primário, cuja diretora era a Irmã Ângela, muito querida. Colégio Santana onde estudei um ano, e o Prudente de Morais, onde terminei o curso ginasial.

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