Sou leitora assídua deste site e há muito gostaria de enviar um testamento para esse site, apesar de ter meus 50 anos e não ter vivido em São Paulo até meus 18 anos. <br><br>Nasci em São Paulo em 1959 e, com três semanas, fui para Ribeirão Preto, aonde vivi até meus 18 anos, pois meu pai era professor e cientista na USP de Ribeirão Preto e minha mãe, sua colaboradora. <br><br>Foi depois de uma estada de nove meses nos Estados Unidos em 1978-1979, quando voltei resolvi adotar São Paulo definitivamente. Na minha infância, vínhamos mensalmente a São Paulo, porém minha visão era de uma cidade escura, fria e suja, pois com a umidade eu colocava minha mão nas janelas e saiam pretas. <br><br>Hoje mudei totalmente meu ponto de vista. Minhas lembranças das minhas vindas a São Paulo remontam a Avenida Paulista, onde minha avó morava. <br><br>Meus avôs não foram barões do café, mas tinham uma casa na Avenida Paulista. Sou descendente de judeus alemães por parte materna. Meu avô materno veio para o Brasil em fins de 1800, enviado por uma empresa alemã. Após certo tempo, se estabeleceu como tipógrafo, e abriu sua própria empresa a Tipographia Brasil, na Rua XV de Novembro, mais tarde Tipographia Rothschild & Loureiro, seu último endereço na Rua Brigadeiro Tobias. Foi ele o criador da "Paulistinha", a famosa agenda, após muitos anos vendida à Pombo. <br><br>Não conheci meu avô, ele morreu quando minha mãe tinha apenas 11 anos. Minha avó veio em 1920 trazida pelo meu avô após o casamento. <br><br>Minhas lembranças de Avenida Paulista são muitas. O padrasto da minha mãe, a quem adotei como meu avô, o Vovô Zezinho, foi presidente fundador da Bravox, sempre que estava em São Paulo, quando ele chegava do trabalho me trazia uns biscoitos em forma de letra era essa minha alegria. Em outras vezes me levava para tomar sorvete no Fasano, Não me esqueço na esquina da Bela Cintra com a Avenida Paulista, havia o Banco Português e na sua calçada uma imensa caravela. <br><br>Em 1968, estava em plena obra o alargamento da Avenida Paulista na esquina da Consolação, onde hoje tem a passagem. E foi-se embora o jardim da casa da minha avó. <br><br>Do lado direito havia o casarão dos Casmamie, eu sempre tive certa curiosidade para conhecer o tal casarão muito imponente, muito bonito. Um dia já adulta, eu e uma amiga fomos visitar o casarão. Muito lindo. Paredes pintadas. Do lado esquerdo o casarão do Eloi Chaves onde hoje é o World Trade Center Eloi Chaves, quantas histórias não ouvi sobre o mistério em seu casarão. <br><br>Assisti a muita Corrida de São Silvestre na Avenida quando passava na frente da casa de minha avó. Tinha um porão que nunca tive coragem de entrar. Só ia até onde eram passadas a roupas. Mas nada mais do que isso. <br><br>Minha tia avó, que era boníssima e tudo fazia para mim. 1985, minha avó morreu, e o que fazer com o casarão da Paulista? Juntamente com o casarão da família Camasmie virou estacionamento, e foi o canteiro de obras do Metrô Consolação. Sempre que passo na esquina da Paulista com a Consolação, muitas lembranças me vem à mente. <br><br>Mais ou menos um ano atrás paramos o carro e fomos ver de perto a esquina. Ainda existe a hera do muro da casa, e mantiveram uma arvore no fundo. E, na calçada existe uma pitangueira. Seria a da casa da minha avó? <br><br><br>E-mail: [email protected]