Feiras de bairros

Há muito tempo passado, as compras para abastecer a casa eram realizadas nas feiras livres, pois não existiam supermercados, e sim, apenas empórios e vendinhas da esquina, daquelas em que você comprava na caderneta.

Quando eu morava na Penha, era bem criança, ia com meu pai na feira de domingo, e lembro que ele levava uma nota de Cr$. 50,00 (aquela nota roxinha) e comprava tudo o que precisava e ainda trazia troco.

Durante parte da infância e adolescência, morei no Braz, e lá não havia feira de rua, mas, em compensação, havia o Mercadão, aonde eu ia junto com meu pai e achava graça quando ele encontrava algum oriundo, e daí começavam a conversar em polignanez. Na minha casa, ele conversava sempre em italiano, de formas que eu nunca cheguei a aprender o barez.

Já mais na adolescência, eu acompanhava meus primos na feira do Piraquara. E esta era uma feira sensacional, pois era realizada na rua paralela à Vieira de Moraes, onde não havia sequer um prédio para tirar o brilho do sol daquelas manhãs inesquecíveis. A feira era organizada, os feirantes não ficavam aos berros para vender seus produtos.

Logo na juventude, frequentava a feira de Moema, que era de um brilho impar, com produtos sempre da melhor qualidade. Era facílimo estacionar o carro nas ruas próximas, pois não existiam prédios em Moema, e também não existiam os incômodos guardadores de carro.

Hoje, quando compramos nossos mantimentos, temos que lavar as latas antes de guardar, higienizar as verduras e legumes com sabão, bicarbonato, hidrosteril, vinagre e ainda sabemos que estamos comendo um monte de tranqueiras químicas que se encontram dentro dos alimentos.

Saudades daqueles pimentões pequenos, mas que exalavam um perfume que se sentia de longe. Saudades daquelas cenourinhas doces como mel.

Hoje tudo é muito prático, rápido, mas carregamos para casa uma carga enorme de químicos diversos, e o que é pior: juntamos plásticos, papelão, latas, alumínios, potinhos, potões e todas as coisas que poluem nosso único lugar que temos para viver.

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