Lembranças da Rua Tamandaré

Fomos morar na Rua Tamandaré, nos idos de 1950. Eu estudava no Colégio Santo Agostinho, e participávamos das quermesses e procissões religiosas da igreja. Próximo dali estava a Rua Vergueiro, com bondes que circulavam para o centro e para os bairros.

Onde hoje é a Avenida 23 de Maio havia um rio e ao seu redor muitas matas.

Aos domingos frequentávamos, o parque da Aclimação onde havia um mini zoológico com alguns animais, e o lago cheio de carpas douradas, que nadavam harmoniosamente.

Nos carnavais papai nos levava desfilar em cima do carro, na Avenida Paulista próximo ao parque do Trianon, e a tarde íamos dançar na matinés carnavalescas, no Estádio do Pacaembú, para travarmos guerra de confetes e serpentinas.

Certa feita fomos conhecer o Aeroporto de Congonhas, todo em madeira e pistas de terra, no distante bairro, pois chegaria o maior avião do mundo, o Constelation, com quatro turbinas, para nossa surpresa ao decolar, além do barulho, a aeronave levantou o pó vermelho das pistas enchendo os nossos olhos e roupas com terra vermelha.

E no IV Centenário da cidade, inaugurou-se a Catedral da Sé, com a vinda do representante do Papa e autoridades políticas e toda a sociedade. E também o parque do Ibirapuera, com exposições, e também a Bienal de Arte, na qual pudemos ver a Guernica de Picasso, obras de Van Gogh, Portinari entre outros, e a monumental escultura de Brecheret que até hoje adorna as avenidas. E na Rua Sete de Abril, pudemos conhecer também o museu de Arte de São Paulo, com obras de Renoir, e Calder.

A festa, de aniversário da cidade teve também desfiles de bandas, militares, escolas, fogos de artifício, e a famosa chuva de estrelas de prata sobre o Vale do Anhangabaú e acrobacias aéreas com voos rasantes da esquadrilha da fumaça.

Na represa de Guarapiranga, as famílias faziam piqueniques, e assistíamos disputas de barco a vela. Era muito chique fazer compras nas Ruas 24 de Maio, Barão de Itapetininga, Praça da República Largo do Arouche, onde estavam os cafés, salões de chá, e finas livrarias e ateliês de pintores famosos. Nas Avenidas Ipiranga e São João estavam cinemas exibindo películas internacionais.

Passávamos pelo viaduto do Chá e admirávamos o Teatro Municipal, onde se apresentavam tenores e cantoras líricas internacionais.
E dali pegávamos o bonde camarão na Rua Xavier de Toledo, com destino ao bairro onde vivíamos.

Enfim esta era a nossa saudosa São Paulo, da garoa com o seu Rio Tietê, Tamanduateí, Pico do Jaraguá e baixada do Glicério, estádios esportivos, de futebol, como Corinthians, Palmeiras e Portuguesa dos Esportes, por onde todos nós frequentávamos com nossas famílias, naquelas tardes domingueiras…

Inesquecíveis, que o tempo não traz mais.

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