Natal Branco

Nessa época de Natal, eu nunca esqueço que meu pai trabalhava no Matarazzo, que era na Praça do Patriarca (prédio central) e, uns dias antes do Natal, havia uma festa para os funcionários; os filhos todos recebiam brinquedos, balas, doces… Era uma festa muito bonita.

Após a festa, nós íamos passear no Viaduto do Chá, ver os presépios gigantes. Tinham vários! A cidade toda muito bem iluminada. O prédio do Mappin com um Papai Noel gigante perto do relógio do Mappin, que ficava também todo iluminado; parecia que estávamos em Nova York, em meio a um verdadeiro fim de ano, um verdadeiro Natal… Eu, minha mãe, meu pai e meus irmãos, todos unidos, felizes, contentes. Tudo isso foi a 40 anos passados.

Hoje está tudo bem diferente. Os meus parentes já são todos falecidos; o Matarazzo e o Mappin não existem mais. Mas ficou as lembranças dos natais passados.

Estou sentado no sofá, no escuro, e lembrando de tudo o que passou… Hoje o Natal, para mim, não tem mais sentido: é um dia como outro qualquer.

Eu vejo as pessoas ao shopping, fazendo compras… É uma correria para chegar no Natal com os presentes dos parentes.

Vai começar 2011, a idade avançando. Esperamos viver o máximo possível com saúde (até quando Deus permitir). E geralmente no fim de ano fazemos um balanço da nossa vida. É sempre a mesma coisa, pouca coisa muda.

Já vem o Carnaval, a Páscoa, as festas juninas… E daqui a pouco já é Natal de novo.

Se eu pudesse começar a vida de novo, faria tudo diferente (apesar de que eu tive uma mocidade maravilhosa em termos de boemia). Poderia ter aproveitado um pouco mais.

Estou ouvindo um CD do cantor Bing Crosby cantando “Natal Branco”. É uma maravilha. Mas lembrar dos entes queridos e maravilhosos faz a gente reviver.

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