Barão de Duprat, 68, Santo Amaro/Marcas Famosas

Foi nesse endereço em Santo Amaro que passei a maior parte de minha adolescência. Lá moravam meus avós maternos, Hortêncio Môsca e Elvira Pintoni Môsca. Infelizmente, meu avô nos deixou quando eu estava com 16 anos de idade, e ele, aos 59 anos de idade. Hoje funciona uma loja de roupas lá. Aliás, toda a rua transformou-se em lojas comerciais, alterando o que há 40 anos era uma rua residencial, agradável, pacata, onde todos se conheciam.<br><br>Quando eventualmente ainda passo por lá, entro numa máquina do tempo mental e pergunto: “Onde estão os Moscas; os Amaros; o seu Quinzinho (nosso vizinho de frente); o seu Esteves (já falecido), nosso vizinho de lado, de cujo filho, Márcio, eu tenho o privilégio de ser amigo de mais de 40 anos; o seu Arnaldo, dono do bar e nosso vizinho?”. Ficaram na lembrança e na saudade! E que saudade! Do tempo em que no fim da rua funcionava a Velnac, fábrica de veludos, sempre com seu jardim impecável, suas palmeiras elegantes, dando um toque a mais na paisagem. Hoje ela não existe mais; em seu lugar foi construído um shopping.<br><br>Meu avô esteve ligado ao desenvolvimento do setor automobilístico, principalmente em São Paulo. Participou de um projeto inovador para a época (aproximadamente 1962), quando funcionário da concessionária de veículos Marcas Famosas, até hoje localizada no mesmo endereço, Avenida Santo Amaro, no Brooklin. Ele foi um dos maiores mecânicos que já conheci. Aliado ao seu conhecimento e competência, havia um outro fator: a paciência. Não existia nenhum desafio que o desanimasse; ele insistia, com calma e paciência, até resolvê-lo. E com um grande detalhe: escutava com muita dificuldade; tínhamos que falar alto para ele ouvir!<br><br>Nessa época, a Marcas Famosas montou uma Perua Kombi Zero Km, pintada nas cores amarelo e azul escuro (o que confundia com os carros da Polícia Rodoviária), como uma verdadeira Oficina Móvel, como foi batizada. Tinha de tudo dentro dela: ferramentas múltiplas, gambão, peças sobressalentes, enfim, uma oficina completa. E para operá-la, evidentemente, se fazia necessário um profissional que soubesse não somente manuseá-las, mas que o fizesse de forma correta.<br><br>Daí, meu avô passou a ser o responsável por esse veículo. Devemos lembrar que para a época, realmente foi algo inovador, pois a nossa frota era composta por um grande número de carros importados, e, de longe, não tínhamos os recursos de que dispomos hoje.<br><br>Claro que a montagem desse veículo também foi uma grande visão de Marketing por parte da Marcas Famosas. Lembro-me dos senhores Jean Louis e Caporal, nomes sempre citados pelo meu avô; infelizmente não os conheci pessoalmente.<br><br>Todo final de semana, alternando sempre entre sábado e domingo, meu avô se deslocava até o litoral paulista. Devemos lembrar que tanto a subida como descida eram feitas pela Anchieta, pois a Imigrantes ainda não existia. De manhã à noite ele percorria a distância do planalto à baixada, prestando socorro a todo e qualquer veículo que se encontrasse parado. Automóveis como Dodge, Packard, Ford, Citroen,Chevrolet, Volkswagen, DKW, Simca, etc, bem como caminhões Scania, FNM, etc, não importava, qualquer que fosse o veículo que necessitasse de socorro, o Sr. Hortêncio o fazia com muita competência, gosto e prazer, e isso eu afirmo, porque tive a oportunidade de acompanhá-lo algumas vezes nessas empreitadas. Sem dúvida nenhuma, trabalho pioneiro! Saudade. Não parece que lá se vão mais de quarenta anos…<br><br>E-mail: [email protected]