Recordações, que coisa gostosa!

Pela primeira vez, eu tive a felicidade de participar, ao lado da minha esposa, Glória, e da nossa filha, Lilian, de uma, assim simpaticamente chamada, Rodada de Redondas, lá na gostosa Cantina Castelões, no cantado bairro do Brás.

Lá, por algumas outras vezes, já se reuniram os autores do site SPMC (São Paulo Minha Cidade), mas para nós era a primeira vez, que espero ser de muitas.

Nós não os conhecíamos pessoalmente, éramos amigos virtuais, conhecíamos algumas características pessoais de cada um através das suas crônicas ou comentários sobre os contos e relatos de outros autores.

Logo ao adentrarmos o salão, fomos recebidos pelo mestre de cerimônia do evento, um dos pioneiros e o organizador desses encontros, o Miguel Chammas, jovem paciente e educado que nos apresentou cada um dos presentes, guiando-nos aos nossos lugares na grande mesa preparada e ornamentada com louças, talheres, galheteiros e copos.

O ambiente é simples, aconchegante como uma casa de família de decoração típica das cantinas da Itália, com garrafas de vinho e linguiça dependuradas sob as prateleiras, com quadros e fotos de locais do país de origem do nome da cantina, e "fotografias" dos frequentadores da casa.

Como não poderia faltar, e não se importando com a simpatia ou gosto esportivo dos fregueses nos fundos do balcão principal, sobre a cabeça do proprietário havia hasteada uma flâmula do Palmeiras.

Todos acomodados, as conversas foram as mais variadas e os assuntos que predominavam, como não poderia deixar de ser, pela idade predominante entre os presentes, era sobre as lembranças e recordações de um passado que parece estar tão distante, porém, que está muito perto, é lembrado em cheiros, perfumes, cores, sons, sabores, músicas, pessoas que já nos deixaram e o que, como eram, como, e o que faziam. Uma expressão muito usada foi: “Lembra?".

Muito lembrada foi aquela menina jovem de 50, 60 e até 70 anos atrás, que ainda nós namoramos e amamos: a nossa querida e amada São Paulo; que hoje é chamada de Grande São Paulo, tal o crescimento do número de moradores nascidos aqui ou migrantes com, consequentemente, aumento de bairros e dos problemas sociais que ela tem hoje.

As pessoas recordavam principalmente dos seus tempos de criança, parecendo que assim esqueciam que envelheceram.

O bate-papo rolava gostoso, quando o primeiro garçom veio oferecer o primeiro pedaço de pizza a cada um dos tagarelas, que imediatamente mudaram a atividade das suas bocas.

Faltavam chegar alguns participantes, mas caia bem naquela hora uma fala do nosso escritor Cornélio Pires, que estava num jantar que se atrasara pela espera de alguns retardatários e lhe perguntaram se os esperavam ou jantavam e sua resposta foi: "Enquanto jantamos, esperamos; agora, enquanto esperamos, não jantamos”.

Que delícia de redondas; o recheio e o tempero muito bem dosados; a massa fofa e saborosa; prato típico para quem não está fazendo regime visando emagrecer.

Aquele deguste que começou aproximadamente às 21h, pela delícia dos pratos, encobriu a passagem do nosso grande inimigo, o tempo, que silenciosamente nos transportou à hora de nos dirigirmos aos nossos lares.

Despedimo-nos alegremente, lembrando-nos que deveremos estar presentes na próxima vez. Para continuarmos a recordar dos bons momentos que vivemos no passado, no presente e viveremos ainda no seu delicioso colo nossa querida São Paulo, nossa cidade.

Esta vez já é passado, é mais uma recordação a ser lembrada, como já estou fazendo, neste momento, enquanto escrevo.

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