As meninas e os homens mais gostosos de Santo Amaro

O título que escolhi para identificar o meu texto, como já devem ter percebido, tem um que de… Interessante, no mínimo.

Como sempre, tenho compartilhado com vocês as peripécias de meus parentes santamarenses através das alegres histórias que minha saudosa mãe sempre escolhia e sempre repetida em volta de uma gostosa mesa do café da tarde, ou qualquer hora em que ela encontrava platéia ávida de seus relatos.

Lembro de uma dessas historia em que envolvia seus irmãos. Minha mãe era a caçula de dez irmãos, sendo nove homens e uma mulher, minha tia Salvatina, mas o caso gira em torno de alguns dos meus tios.

Imaginem tantos rapazes a reinarem num sobradão, como assim era chamada a casa de meus avós. Contava minha mãe que o quarto mais parecia um quartel ou ala da santa casa devido ao número de camas e armários. Dizia, rindo, que os que acordavam cedo tinham o privilégio de saírem mais bem arrumados ou, pelo menos, com os trajes combinando.

A diferença de idade era grande entre ela e a maioria dos irmãos, pois, quando nasceu, já era tia. Aliás, sua parceira de infância e juventude, e amiga confidente, era sua sobrinha da mesma idade, filha de um desses citados no titulo da nossa história.

Meu avô, Chico Turco, dono do Cine São Francisco algumas vezes, na ausência da esposa e posicionado em frente do armazém que tinham na Rua Capitão Tiago Luz, ficava a apreciar o footing no Jardim Floriano Peixoto e o entre e sai dos clientes. Certa vez, recebeu a visita de moças distintas, como ele descreveu a esposa, minha avó Belarmina, santamarense de coração. Minha avó, conhecedora de todas as suas clientes, logo quis saber quais seriam essas "distintas" moças. Marido pomposo a desfilar elogios sobre seus filhos, rapazes viris, bonitos e… Gostosos. A essa altura, minha avó já confusa com tais termos usados pelas tais moças "distintas", pediu que o parceiro descrevesse fisicamente cada uma delas e não precisou de muitos detalhes para minha avó identificar as tais moças, e num ato contínuo, disse, em tom de reprovação para o meu avô, seu Chico Turco, que ele outra vez havia conversado com as meninas de vida fácil que habitavam em rua próxima à Alameda de Santo Amaro.

Ríamos muito e sempre perguntávamos quais seriam. Lembro de uma das fotos de casamento de minha mãe… Aquela tradicional em que a noiva, ladeada dos pais, meus queridos avós, irmã e irmãos… Víamos tal foto e sempre apontávamos os tais… “Homens mais gostosos de Santo Amaro”.

E-mail: [email protected]