Nestes dias que correm, molhados todos, os rios passaram a ter uma importância nova. Claro que isso de "importância nova" é bobagem, pois a importância dos rios é intrínseca, embora muitos não percebam.
Guimarães Rosa toca nesse assunto com a maestria que lhe é peculiar, ao dizer de um riozinho que só foi percebido quando morreu; quando aquele barulhinho gostoso já não embalava mais o sono ribeirinho.
Assim são os rios e assim são os homens. Estes tentam domar aqueles que não se deixam vencer nunca.
Emparedados, canalizados, esgotados (em todos os sentidos que esta palavra permite), ainda assim resistem e, quando cumprem sua função de rios e transbordam em busca de suas várzeas loteadas, trazem o caos àqueles que, consciente ou inconscientemente, não os respeitaram.
Poucas coisas neste mundo são mais belas do que um rio, mas muitos passam por eles e não os notam, aí, quando vem o tempo das águas, então, eles se fazem notar.
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