Teatro Colombo

Assistindo a minissérie sobre Dalva e Herivelto, veio-me à memória quando, em minha infância, eu ouvia pelo rádio o Trio de Ouro. Minha mãe era fã incondicional do Trio e eles realmente faziam um grande sucesso.

Acredito, se minha memória não falha, que eu tinha uns oito anos quando o Trio de Ouro se apresentou no Teatro Colombo, no Brás.
Entre outros artistas estava também o Chico Viola (Francisco Alves) e as irmãs Batista – Linda e Dircinha.

Minha mãe não perderia por nada a oportunidade de vê-los e ouvi-los pessoalmente. Assim, lá fomos nós, da Mooca para o Braz; meu pai, minha mãe e eu para o show. Não é preciso dizer que o teatro estava completamente lotado e era um delírio só, não é mesmo?

Até hoje tenho na mente a linda visão do Trio no palco. Os homens vestindo blazers e calças brancas, e Dalva vestindo um lindo vestido longo, com várias saias, tomara que caia, luzindo suas jóias (ou bijuterias, não sei). Eram lindos de se ver.

Nos ouvidos guardo o afinamento do Trio e a voz, incomparável, da Dalva de Oliveira. Músicas com letras inspiradíssimas. Músicas de Herivelto e outros compositores. "Vão acabar com a Praça Onze. Não vai haver mais escolas de samba, não vai, chora o mundo inteiro, choram os tamborins…".

Eu cantava todas as músicas deles e, após o fim do Trio, todas as músicas que Dalva gravou sozinha: Que será? Errei Sim, Olhos Verdes, Kalú, Estrela do Mar, Máscara Negra e tantos outros.

Eu tinha uma voz muito boa e alta e imitava o timbre da Dalva. Morria de cantar no chuveiro e nas apresentações de domingo que o radialista José Estaca promovia em frente a sua loja, na Rua da Mooca. O Raul Gil, ainda mocinho e buscando um lugar ao sol, também se apresentou muitas vezes no show do Estaca.

Modéstia inclusa, nós fazíamos sucesso. Bons tempos, de beleza e de vida simples.

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