Nasci em Fevereiro de 1958, em pleno carnaval paulista, meus pais eram do interior de São Paulo, da Cidade Tambaú. Cidade essa conhecida pelos milagres do Padre Donizete.
Meu pai era um simples operário de metalúrgica e minha mãe uma grande artista, criava modelos de roupas para as famosas Lojas Beth daquela época. Quem não se lembra dessas roupas?
Até meados de 1969 morei na travessa da Rua dos Samurais, no Alto da Vila Maria, era um cortiço, casa simples, era uma colônia de portugueses. Custou muito para eu substituir a letra B para V, como exemplo a “bassoura” para a vassoura. Mas tudo era festa, tinha muita música e histórias contadas pelos meus amiguinhos chegados de Portugal.
Nessa época, o Bairro de Vila Maria tinha apenas 30 por cento de asfalto, onde eu morava a rua era de terra. Ali brincávamos até de carrinho de rolimã, soltávamos pipas, barracas de pano, capucheta, além dos balões e chinesinhos.
A molecada morria de medo do famoso Tuta, neto do falecido italiano Senhor Genaro, que andava com um macacão de brim e tamancos de madeira. Era muito engraçado, ele não perdoava ninguém, mandava tijoladas nas casas, que saudades!
A maioria das famílias ia assistir televisão no Bar do Passarinho, ali na Rua dos Mussumés, quem não se lembra dos filmes Bonanza, National Kid, Daniel Boone, Zás, Combat Filme de Guerra e outros.
Meus amigos eram: O Neném (Jose Guimarães Filho), Vagner (Filho do Senhor Joaquim da mercearia e Bar do Zé da Pinta), Vitório, Fernando (Bananeiro), Mazza, Rubens Mota, Maria Emilia, a Tuta (Maria da Graça), Beto Ulisses, os irmãos Reinaldo e Ronaldo (da Mussumés), Erdel Bononi e outros que fugiram da minha memória.
As festas juninas, os casamentos das filhas do Senhor Antonio e Dona Nica, a compra dos sapatos nas Lojas do Alfredo, os roncos dos carros que participavam das Gincanas, como Escuderia Taturana e Fogaça, os bailinhos da Vila Maria, Dom Macário, do Colégio Sion.
Andar de Bonde no final desses tempos foi um privilégio para mim, meus pais me levavam para passear até o Centro da Cidade.
Estudei no Grupo Escolar de Vila Maria, atual Ministro Horácio Lafer até o final de 1969, Escola Estadual Maria Montessori e também na Imperatriz Leopoldina.
No final de 1969 mudei para outros endereços, onde fiz novas amizades, mas o que mais me marcou foi quando conheci a minha mulher, Marta Fritoli em Abril de 1975, num baile familiar. Fizemos nossa vida até hoje, onde foram geradas duas lindas filhas: Giandrea e Bruna, responsáveis pela nossa felicidade.
Hoje moro na cidade de Guarulhos, mas não esqueço de passar pela Vila Maria pelo menos três vezes ao mês, isso tudo para não pagar da minha memória a vida que tive nesse belo bairro.
Um abraço a todos os meus amigos que ainda vivem na Vila Maria.
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