Brás – A vendinha do Silvio

Já tem algum tempo que não escrevo relatando fatos ocorridos no meu querido Brás, e relembrando minha mãe (ah! Que saudades da minha mãe) comentei com meus filhos sobre o paste fasulle que ela nos servia várias vezes por semana (o dinheiro era curto e era preciso reciclar as sobras do almoço), e para preparar aquela iguaria ela me pedia:<br><br>-Roquinho! Vai buscar meio quilo de pasta Pai Nosso lá no Silvio.<br><br>Eu achava a vendinha do Silvio um paraíso de coisas gostosas, e na verdade a vendinha era do Seu Izidoro, pai do Silvio, mas quem sempre atendia o balcão era o Silvio.<br><br>No espaço entre o balcão e o freguês ficavam os tamboretes contendo feijões, fubás, arroz, macarrões, e o que eu mais gostava. Biscoitos.<br>Eram biscoitos São Luiz, Duchem, Piraquê, Matarazzo, Bela Vista, que enchiam a vendinha de uns cheiros misturados e maravilhosos, e eu raramente tinha a chance de prová-los. Algumas vezes o Silvio me oferecia uma prova, que eu comia lentamente.<br><br>A dificuldade financeira de meus pais não era uma constante, pois muitas vezes meu pai conseguia realizar boas vendas do produto totalmente desconhecido no Brasil. Farinha de soja. Quando ele recebia boas comissões era uma festa, pois ele reunia os filhos e a esposa e nos levava ao cinema Piratininga ou no Glória, dependendo de onde estava "passando uma fita boa", e quando saíamos do cinema era infalível passarmos numa pastelaria para traçar alguns pasteis especiais (eram recheados de camarão). Eu nunca mais comi nada igual.<br><br>Saudades da vendinha do Silvio, que era o nosso supermercado (ainda não existia esse nome), e a vendinha ficava na esquina da Assumpção com a Alfândega, do lado oposto ao Gaeta, fábrica de chuteiras. Quem é que se lembra?<br><br>Smania! Smania! Velho e querido Brás.<br><br>E-mail: [email protected]