O castigo vem a cavalo?

Estudei, nos anos 53 a 55, na Escola Normal Livre "Manoel da Nóbrega", que ficava na Avenida Angélica e era anexa ao Colégio Piratininga. Nessa época eu morava na Rua Lopes de Oliveira; portanto, para chegar à minha casa era preciso descer a Angélica, atravessar a Praça Marechal Deodoro, entrar na Albuquerque Lins, cruzar a Brigadeiro Galvão, virar na Rua Barra Funda e aí chegar à Lopes.

Na volta das aulas, lá pelas onze e tanto da noite, eu sempre vinha junto com uma colega que morava perto. Meu pai havia feito a recomendação estrita de que, quando essa amiga faltasse, eu deveria telefonar para que ele fosse me buscar. Mas quando isso aconteceu, eu não tive coragem de tirar de casa, àquela hora da noite, um homem que tinha trabalhado o dia todo e certamente já estava deitado. Não dormindo, porque os pais nos esperavam acordados, não é?

Resolvi ir sozinha, bem depressa, e assim logo, logo, estaria em casa, sã e salva. E fui. Mas vocês nem imaginam o que me aguardava: ao virar rapidamente da Rua Barra Funda, na Lopes de Oliveira, deparei-me com dois elefantes no meio da rua. Eles estavam exatamente entre a esquina e a minha casa, no número 324. Calculem o susto! Estaquei, de olhos arregalados, sem saber o que fazer, não acreditando no que estava vendo…

Aí, o tratador, que estava tomando não sei o quê no bar, apareceu. Mandou que eu ficasse parada, quietinha, e tangeu os elefantes na direção da estação de trem da Barra Funda, onde eles seriam embarcados. Certamente estavam vindo do Circo Piolim, que ficava na avenida Gal. Olímpio da Silveira, ali pertinho. Entrei em casa tremendo e tive que contar o ocorrido e ouvir "aquele" sermão por não ter seguido o combinado.

Bem feito!

Dizem que o castigo vem a cavalo, mas este veio montado em dois elefantes!

e-mail do autor: [email protected]