O velho e bom Bixiga, depois, Bela Vista das décadas de 50 e 60 tem histórias e mais histórias, além da vida pacata das crianças brincando nas ruas, das senhoras sentadas à porta de suas casas para "se atualizarem das novidades", do bonde camarão que circulava pelas ruas do bairro até a Av. Brigadeiro Luiz Antônio, vindo da Praça da Bandeira. A vida do bairro girava em torno da Igreja da Achiroquita da Rua 13 de Maio.
No mês de agosto (como até agora) havia a festa da Santa com a quermesse na rua, mas o cume dos festejos era a missa solene seguida da procissão de Nossa Senhora, cujo andor era carregado pelos Congregados Marianos, por várias ruas do bairro, por umas 3 horas. De momentos em momentos a procissão parava defronte a uma casa de algum morador mais ilustre, previamente combinado, e a família toda, com o patriarca vestindo o seu melhor terno.
À frente, dirigiam-se para perto do andor onde estava a Santa (da imagem saiam longas azuis) e nelas fixavam com alfinete notas de dinheiro (doações), na época de Contos de Reis. Depois dos agradecimentos do Padre, a família retornava contrita à sua casa e a procissão seguia sua marcha. Era um ato imponente.
Assim, também, era a procissão do Senhor Morto, que ocorria na sexta-feira santa (ou da Paixão). Todos vestidos de preto e o caixão com o corpo de Jesus era carregado pelos mesmos Congregados Marianos e as “Filhas de Maria” portavam velas acessas. O interessante da Semana Santa é que, realmente, não se comia carne. Os açougues do bairro fechavam no final do dia do sábado de ramos e só reabriam no domingo de Páscoa, pela manhã. Era uma semana de total abstinência.
No Carnaval, meses antes, um grupo de pessoas do bairro, circulava pelas ruas do bairro, todos os dias, no início da noite, tocando seus tambores, como uma pequena bateria de escola de samba, ensaiando para os desfiles de “Momo”. Era o CORDÃO DA VAI-VAI, hoje a famosa Escola de Samba.
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