Fazendo e empinando pipas

No meu tempo de garoto, anos 50, pipas eram mais conhecidos como quadrado ou papagaio. Para se construir essas peças voadoras era preciso ter bambu, papel de seda e linha. As varetas eram tiradas dos bambus, que tinham aos montes, na chácara da dona Ângela, ou no terreno em frente, onde morava a dona Virgínia, mãe do dado. Quanto mais verde fosse o bambu, melhor. O que facilitava o trabalho de se construir os quadrados.

A garotada que morava na Rua do Porto e João Cachoeira, no Itaim, faziam quadrados de vários tipos, que eram Peixinho, Barrilete e Maranhão. O peixinho era o mais fácil de fazer, tinha o formato de um losango, no qual se colocavam duas varetas em forma de Cruz, com a vareta horizontal mais acima do meio da vareta vertical, aí vinha a linha por toda a volta, que podia ficar em linha reta ou vergada, para facilitar sua permanência no ar, sem ficar balançando para os lados em sentido vertical.

Podia também construir um peixinho sem as linhas em volta, para poder empinar sem o rabo, que naquele tempo era de pano. Tinham muitos que usavam só papel, de preferência jornal, que em “V”, no horizontal, com um estirante nos bicos, tinha o nome de Capucheta.

Já o barrilete era mais trabalhoso, tinha uma vareta em sentido vertical e duas em sentido horizontal em tamanhos diferentes. A vareta horizontal, que ficava na parte de cima, era maior do que a que ficava embaixo. Esse quadrado ou Pipa não podia ser menor do que 40 centímetros. O Rabo tinha que ser maior porque tinha mais força, principalmente quando o vento era mais forte.

O barrilete era um quadrado que podia ser feito até com um metro de altura, mas tinha que ser empinado com barbante e com bastante pano para fazer o rabo. Já o Maranhão tinha o mesmo sistema do barrilete, mas com uma diferença, o papel era colado tanto com goma arábica quanto com cola de farinha de trigo na vareta horizontal, de cima para baixo, e a linha de cima ficava livre. Colocava-se um papel colado naquela linha e com vários cortes, como uma franja, que dava um barulho como se fosse um zunido; e quando se dava muita linha, era por ela que se sentia aquele zunido excitante.

Para laçar outros quadrados, os peixinhos eram os mais usados, porque seu formato facilitava que ele embicasse de cima para baixo, para executar o laço. Mas para ter sucesso nessa operação, o laçador tinha que ter a linha nº 24 e a certeza de que o outro tinha uma linha mais fraca, no caso a nº 50. Não existia o Cerol e para tentar cortar uma linha era colocada uma Gillette numa rolha e amarrada na ponta do rabo e ainda tentar fazer a ponta do rabo com a Gillette ir de encontro à linha do outro quadrado.

Correr atrás dos quadrados quando uma linha era cortada não tinha o mesmo perigo de hoje porque não havia muitos carros transitando, e também não havia muita fiação elétrica.

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