A chuva parou, e ao cair da noite resolvi passear pelas ruas do Ipiranga. Desci pela Agostinho Gomes e fui até a Leais Paulistanos, ali havia um terreno vazio onde se realizava uma quermesse da Paróquia Nossa Senhora das Dores. Hoje lá estão dois prédios do CDHU. Sigo em frente em direção a Rua Thabor procurando ver alguma coisa do passado, nada encontrei.
O cine Ipiranga Palácio e o Bar do Carmo não existem mais, nem a cancha de bochas do Orestes. Os armazéns do Banco da Borracha foram demolidos e agora no lugar estão sendo erguidos mais dois edifícios. No Ipiranga Palácio dei o meu primeiro beijo nos lábios de uma mulher na matinê de domingo lá pelos idos da década de 50. Ainda me lembro de seus longos cabelos.
Diante das lembranças, lembrei-me de um famoso tango de Gardel que dizia: – "Volver… con la frente marchita, las nieves del tiempo platearon mi sien. Vivir…con el alma aferrada a un dulce recuerdo que lloro otra vez", pouco ou quase nada resta das antigas casas daquelas ruas. Volto para casa triste e no caminho paro em um bar que fica na esquina da Rua Agostinho Gomes com Xavier Curado.
Peço uma cerveja e fico recordando uma letra de outro antigo tango chamado "El Tabernero" que diz: – "Muchos se enbriagan com vino y otros se enbriagan com besos, Como ya no tiengo amores, y los que tuve morieran, plazer encuentro en nel vino, que me brinda el tabernero", deixo o bar e sigo para casa, tudo está em silêncio, deito em minha cama e adormeço querendo sonhar com aqueles velhos tempos que não voltam mais.
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