Minha eterna Paulista

Sou do tempo quando a Avenida Paulista era apenas uma alameda arborizada e florida. Eu morava próximo da Praça Osvaldo Cruz e adorava andar a pé pela Paulista nos finais de tarde até a Rua Haddock Lobo. Os tempos modernos chegaram e minha Paulista virou uma avenida. Ela perdeu sua agrestidade e ganhou um novo visual paisagístico, transformando-se na via mais famosa da capital.

Os casarões deram lugar a altos edifícios e as marcas da natureza que a caracterizavam foram substituídas por placas que indicam as ruas que a cruzam. Sua tênue iluminação, às vezes bruxuleante na nevoa da madrugada, quintuplicou em potência. As árvores floridas de todas as estações do meu tempo foram substituídas por moréias amarelas de verão e azaléias de inverno e o chão outrora dominado pelo verde foi tomado pelo concreto e asfalto com raros espaços para a grama do tipo amendoim.

As floreiras que vejo hoje ao longo de quase 500 metros me fazem lembrar com nostalgia o aspecto burlesco da região em tempos remotos. No lugar do canto dos pássaros, o som estridente de veículos. No lugar da quietude, perturbada somente por suaves brisas, a agitação de gente apressada. O tempo também tem pressa e quem não o acompanha fica para trás, como minha saudade da antiga alameda que guardo no meu coração de 84 anos.

Mas não deixo de sentir orgulho de ver minha alameda de passeios à sombra de copas de árvores frondosas transformada em símbolo do progresso do nosso país.

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