Os macacos de Dna Belarmina

Outro dia contei a história do lagarto fujão de minha avó Belarmina e me comprometi compartilhar outra algazarra dos animais de estimação dela. O Cine São Francisco divertia os santamarenses com shows, bailes, filmes, mas o quintal de Dna Belarmina também reservava espetáculo à parte. Era uma área grande florida dividindo espaço com pequenos canteiros de legumes, temperos e árvores frutíferas.

O quintal também acolhia uma grande gaiola onde residia um casal de macacos. Animais prediletos da Dona do quintal. Os bichos eram tratados como reis do pedaço e gozava de platéia cativa, principalmente pelos professores do Grupo Escolar Paulo Eiró, lindo prédio estabelecido ao lado da Praça Floriano Peixoto, onde hoje infelizmente reina um espaço comercial a céu aberto.

Bom voltando ao casal de macacos, estes se sentiam felizes ao ver que do lado de lá da grade havia sempre alguém para rir de suas macaquices. As professorinhas eram as mais encantadas com as estripulias do casal. Principalmente do macho. Este com olhar lânguido sempre conseguia um pedaço do lanche saboroso que os professores compartilhavam abaixo das frondosas árvores, nas mesas montadas ao redor delas.

Minha mãe contava que nos intervalos das aulas alguns funcionários e professores do Grupo se dirigiam até o quintal de minha avó, que ficava a meia quadra de lá para se divertirem. Além da sombra acolhedora, do café gostoso servido e preparado pela sua fiel escudeira, que no memento não recordo seu nome, uma negra taluda de estatura baixa, calada, mas braço direito de minha avó.

Minha mãe aos risos contava que o macaco, matreiro como ele só, esperava o público distraído a brincar e elogiar seus feitos, então se aproximava da grade e sem que ninguém percebesse que a cauda magistralmente se molhava na cumbuca ao lado e assim que sentia a hora certa lançava tal cauda de encontro às pessoas causando estrago nas roupas engomadas das professorinhas. Aos risos se afastavam para se limparem.

Mas no outro dia lá estavam elas novamente próximo do arteiro em busca de gracinhas. O leite era tirado lá mesmo de uma vaca holandesa que assim como o lagarto fujão reinava livre pelo quintal. Não posso esquecer de apresentar o loro que do alto do seu poleiro na porta da cozinha não dispensava o pão com café que lhe era servido toda à tarde, quando não reclamava com destreza a dona esquecida.

Realmente tanto aquele quintal como o cine São Francisco proporcionavam belos espetáculo a todos ali em Santo Amaro.

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