Calçada, sinônimo de passeio público

Nossas calçadas, ah! Nossas calçadas! Quem nunca teve uma torção no pé, um salto quebrado, um tropeção por desnivelamento de calçada em São Paulo, que atire a primeira pedra. Tudo bem que nossa cidade é imensa, difícil de ser fiscalizada em sua totalidade, mas, sinceramente, o descaso com nossos passeios públicos beira ao absurdo.

Meu pai construiu sua casa nos anos 60 e, contrariando minha mãe, mas mostrando o quanto era cidadão, preferiu fazer uma rampa interna na casa, que dá acesso ao quintal, do que fazê-la na calçada e prejudicar um pedestre.

A qualquer reclamação nossa, dizia: "Por acaso vocês sabem o que quer dizer calçada? Significa passeio público! É feita para caminhar; vocês já viram alguém caminhar com rampas, desníveis, sobe e desce a cada metro ou a cada casa? Não dá né? Calçada tem que ser reta, segura, é feita para andar".

Com esse argumento nos convenceu, não só a nós, os familiares, mas a todos os vizinhos que pôde. Tanto é que os vizinhos da direita, da esquerda e da frente, todos tem calçadas lisas, sem nenhuma rampinha ou desnível sequer.

Conclusão: são as preferidas da rua para brincadeiras de crianças, conversas nas manhãs de domingo, os primeiros passos dos bebês, novos moradores do pedaço, o solzinho matinal dos idosos que precisam dar uma caminhada segura, enfim, um sucesso essas calçadas! Hoje, andando pela cidade, não tem como não me lembrar de meu pai e sua demonstração de bom senso.

Como é difícil caminhar por São Paulo, percebe-se a falta de respeito a cada metro, tem lugar que nem calçada tem e outros que as tem para estacionamentos, comércio, usos dos mais variados, menos o principal: o passeio, o caminhar do público cidadão. Uma pena, realmente uma pena! Quem sabe, um dia…

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