Na minha adolescência, na Cohab 1, por muitas coisas eu esperava! Início de anos 90, ansiosamente esperava! Com ansiedade eu esperava passar esta fase logo. Sem falar que nesta década todos só pensavam no ano 2000! Assim como todo adolescente, sabe como é… Achava-me feio, desajeitado, apesar de não ser de todo "um desastre". Fazia o possível para ficar tão descolado quanto os outros. Que esforço! <br><br>Esperava acabar logo aquela aula chata, ir pra minha casa logo. Se bem que, se quisesse era só cair fora dali, subir a ladeira da "Rua seis", rango e cama! Mas o dia seguinte também seria o dia das esperas! Até cansava. Esperar o dia terminar. E outro… E outro. Mas será mesmo que tudo era somente esta tortura? Quase, vai! O que eu mais esperava mesmo era o final de semana!<br><br>Na minha adolescência, muitas coisas me marcaram, entre as principais, estão os primeiros namoricos, aqueles em que na minha época, apesar de não tão distante, são completamente diferentes dos de hoje. Não éramos "santinhos", mas tínhamos uma inocência que hoje, não é a mesma. Também tive um amigo inseparável, juntos aprontávamos poucas e boas, nem tudo vale a pena contar aqui, mas seu nome eu já vou dizendo: Renato.<br><br>E pensar que um dia na infância, o Renato colocou um paralelepípedo (destes de pedra!) dentro de uma bola e me pediu para dar uma bica! E dei… Aiii! Mas tudo bem. Foi na infância, eu o perdoei e nos tornamos grandes parceiros de aventuras, das boas! Que o digam nossas bicicletas e bairros percorridos com elas, tudo por um rabinho de saia incerto, sem falar que chegávamos suados e fedidos. <br><br>Naquela época suor não era problema, fazíamos quase tudo a pé, claro que dentro de certos limites. Acreditem, naquela época ir a pé da Cohab 1 ao SESI lá na Cidade A. E. Carvalho pra pegar uma piscina não era problema. Mas ir a pé da Cohab I até a danceteria Toco, lá na Dona Matilde para as matinês de domingo à tarde embaixo de um sol escaldante… Já não posso falar o mesmo! Ah! Mas não deixava de ir.<br><br>Dentre as coisas que eu mais esperava, estão os encontros no grupo de jovens da Paróquia São Francisco de Assis aos domingos à tarde. Ali, além das amizades sob os ensinamentos de Cristo, cantávamos, tocávamos violão e claro dávamos aquelas paqueradas, ao término, ficávamos para a missa que era feita para os jovens, tinha até banda que embalava aquela juventude, era muito animado, inesquecível. <br><br>Após a missa ainda dávamos uma fugida para a sorveteria da "Rua Treze" que ficava aberta até tarde aos domingos, parecia até nos esperar. Ali era o sinal de que o fim de semana terminara. Dentre todas as esperas de minha adolescência, a maior de todas, deixei para contar no final. Apesar de maior, foi uma das primeiras. Esta espera cessou após o término de uma das missas da Paróquia São Francisco. <br><br>Confesso que neste dia, não prestei atenção em quase nada na missa, nem no que o Padre Josimar falou, era impossível! A espera era que a missa terminasse logo! Ela saiu na frente, também parecia estar nervosa por esperar, comprou um saquinho de pipocas e me aguardou. Na ida pra casa, ela me ofereceu: – Quer pipoca? Olhei trêmulo para seus lábios e disse que não, mas lhe agradeci. <br><br>Em seguida senti o gosto da pipoca da maneira mais intensa e inesperada que poderia imaginar… No primeiro beijo! Nossos caminhos seguiram rumos diferentes e após quinze anos nos reencontramos para relembrar esta história e, adivinhem? Hoje completamos três anos que nossos beijos têm os mais variados sabores!<br><br><br>E-mail do autor: [email protected]