Morava eu na Rua Maria Dometilia, na rua do “amendoinzeiro”. Passei praticamente toda a minha infância nesse Parque. Lembro-me ainda das várias visitas dos então governadores da época, Adhemar de Barros (um homem branco e com o sol ficava vermelhão) e sua dileta esposa que distribuía nos finais de ano sacolinhas com guloseimas e brinquedos. Que alegria, nada escolhíamos, diferente de, o Jânio Quadros, sempre sisudo, mas amoroso com as crianças, tínhamos medo deles, pois para nós eram as pessoas mais importantes do mundo…
Lembro-me do zelador do parque o Sr. Natal, bonzinho toda vida, da merendeira Dna. Ripalda e dos seus filhos que também ficavam lá. Lembro-me também da piscina redonda, das aulas de ginástica, das educadoras Dna. Beatriz, Dna. Aparecida, Dna. Maria de Lurdes, Dna. Laide e da diretora Dna. Lais. Lembro-me também da casinha da Lili, filha da diretora. Ninguém mexia nos brinquedos dela, a casinha era trancada, mas pelas janelas podíamos visualizar o que continha ali.
A Dna. Vitalina tocava o piano e as crianças cantavam. Naquele lugar os estagiários vinham nos aplicar as vacinas da época, que chamávamos "injeção de óleo e injeção de vinagre" as danadas doíam muito. O mesmo com os estagiários de odontologia que com os nossos dentinhos de leite aprendiam a "abiturar" e a "arrancar" como dizíamos, eu mesmo tive um histórico que para a extração de um dente tive que ser amarrada a cadeira do dentista, gritei muito, xinguei, chorei mas arrancaram da mesma forma.
Outra vez fui cobaia de hipnose para tratamento dentário.
Os coleguinhas eram de toda a parte, os sírios Amina e Rene eram irmãos e moravam próximo ao Mercadão. A família grega, Demétrius, Antonio e o outro irmão que não recordo seu nome, moravam no Treme-Treme. O baiano Nilo Sérgio (meu primeiro namoradinho, tínhamos oito ou nove anos) e seus irmãos Monteval e Graciédna que era toda manchada, hoje se sabe, era vitiligo, mesmo assim minha amiguinha era linda. Os negros, minha inesquecível amiga Miraci era brava, mas era das minhas, boa para arrumar encrencas com as brancas, meu apelido.
Branca negreira, por quê? Já adivinhou? O Pichote, menino muito atazanado batia em todo mundo. No parque existiam muitas árvores de jenipapo uma fruta que nunca mais vi. Para subir na enorme árvore contávamos com a ajuda dos moleques, mas nos machucávamos com os espinhos e sem falar no papa-capim, passarinho que puxava os nossos cabelos.
Quando nossas mães iam nos buscar, contávamos as nossas travessuras. Nunca esqueci minha infância, era feliz e não sabia… Hoje naquele local esta situada a Pedro II do Metrô, é o avanço, mas lembro com saudades…
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