Depois da fase de entregar em domicílio o leite, pelo Sr. José da carroça, começaram a aparecer os primeiros caminhões da Paulista que faziam as entregas nos empórios e bares. Era ainda criança, mas lembro bem das figuras: o motorista era gordo, barba branca, cabelos quase brancos. O ajudante era magro, alto, também barbado e sempre de estava boné. Entregavam o leite duas vezes ao dia: às oito da manhã e às quatro da tarde.
Assim era feito, pois o leite era vendido em garrafas e as geladeiras dos estabelecimentos não eram tão grandes assim. Hoje, no saquinho, é bem mais fácil armazenar uma quantidade maior. Mas, voltando ao ajudante. Até 1974 e 1975, antes de me mudar para Guarulhos, a dupla de entregadores era a mesma… E olha que os dois já estavam no ramo há muito tempo; lembro deles desde os meus cinco anos! Nesta época a dupla já contava com uns 15 anos de profissão!
Já em Guarulhos, muito tempo depois, anos 90, encontro na venda aqui perto de casa, aquele mesmo ajudante pilotando o caminhão da Paulista: mesma magreza, com a mesma barba, só que já branca, e de boné. Não acreditei no que via! Não sei do motorista: se está aposentado ou faleceu… O que me surpreendeu foi ver alguém que, pelo jeito, gostava do que fazia. Entregar leite!
Seu amor por aquele trabalho, não o levou a procurar outros empregos! Devia ser excelente funcionário para não ter sido, de alguma forma, demitido ao longo de tantas épocas de "vacas magras". Este, com certeza, é mais um personagem do meu álbum de recordações.
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