Na Alameda Casa Branca, ao lado do Edifício Long Champs, estudava o curso primário em 1963, no Externato com o mesmo nome da alameda. No início de maio começavam os preparativos para a nossa quadrilha para as festas de junho. Aos nove anos, a paixão por uma coleguinha pode parecer uma grande bobagem, por pueril e inconsequente. Mas não era. Como doía aquele sentimento.
A dor da não correspondência piorava ainda mais as coisas. Carolina, a garota morena de olhos azuis era um pouco mais crescida que a média da turma, e era por ela a minha paixão. Perdia-me profundamente naquele olhar azul. Com o início dos ensaios da quadrilha, não podia admitir que o meu par fosse outra senão a minha musa. Mas a professora tinha outros planos, escolheu os pares ao seu bel prazer, com critérios que eu nem queria ouvir.
E fui contemplado com uma colega baixinha, miúda e que nem falava na sala de aula! No primeiro ensaio ainda resisti, mas apenas para questionar a professora que eu tinha de trocar de parceira, ou não viria mais aos ensaios e à festa. Ao que ela nem quis colocar o assunto em discussão e foi me empurrando para a minha pequenina parceira. Meio que gritando, ela falou: – "Vai, vai lá dançar agora…".
Caminhei como que em câmera lenta até a saída da sala e olhando em volta, pude ver Carolina mascando chicletes e franzindo o nariz numa atitude de rejeição. No outro lado a pequenina colega muito envergonhada… Só que nesse caso eu não a via, só via o olhar irônico de Carolina confirmando o não. Não muito dolorido. Não fui dançar a tal quadrilha, mas sobrevivi ao baque.
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