Neblina

Quando eu tinha por volta de oito anos, ia com minha mãe a feira para ajudá-la trazer as sacolas. Trazia sempre uma cheia de bananas, pois éramos em quatro irmãos, eu, o Vanderlei com sete anos, Valter com dois e o Vagner bebezinho. Passávamos na Avenida Suzana, pois morávamos na Rua Américo Ribeiro, Vila Gumercindo. Ainda moro lá. Lembro-me que a neblina era tão intensa, que eu tinha medo, mal enxergava um metro adiante.

Que saudade de ver chegar o caminhão de gás, que precisava colocar correntes nos pneus porque as ruas não tinham asfalto, aliás, asfalto era só na Rua Sta. Cruz e na Avenida do Cursino. Lembro também do carroceiro da prefeitura que recolhia o lixo, da passarinhada se recolhendo às cinco da tarde, do medo do saci quando ventava, medo de assombração e fantasmas à noite nas ruas.

Esses eram os maiores perigos que corríamos… Nunca vi naquele tempo um bandido. Quando havia roubo, era de galinha, porco…, como eu brincava com os moleques amigos, tinha época das bolinhas de gude, cavávamos com uma tampinha de refrigerante na terra o buraco que chamávamos de box, três casas e a matança. Tinha a época dos quadrados (pipa nunca ouvi falar), tinha a raia que era linda, nunca mais vi…

Tinha maranhão que hoje é conhecido para cortar a linha dos outros e era bom para brigar no alto com cerol, que na época era fraquinha… e tinha também a barraca…um quadrado muito grande, que se empinava com cordonê. Tinha a época do pião, pião cabeçudo, sem cabeça, batatinha e muitos outros. Jogar bola na rua nem se fala… Era sempre…

Hoje tenho 56 anos, nasci no Ipiranga, depois de três casamentos, voltei ao lugar onde nasci!

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