Sta. Terezinha

Em 1950 recentemente chegados da Alemanha, os meus pais acharam uma casa para alugar na Tijuca Paulista. Como me lembro, gostamos deste bairro desde o primeiro momento quando saímos da lotação na Chora Menino. A nossa primeira moradia não era luxuosa, mas tinha tudo que uma família com dois adultos e três crianças precisavam.

Os vizinhos fizeram tudo para nos ajudar com a língua e os costumes locais. A primeira preocupação de meus pais foi achar uma escola para mim. Eu tinha dez anos e não podia ficar em casa. Minhas irmãs eram bem mais novas. Assim foi que me matricularam no Externato Pedro Doll.
Devido a idade entrei no quarto ano o qual passei bem. Ainda tenho uma foto em que estou muito bem vestida segurando o meu diploma.

Em seguida fiz um curto curso de Admissão que também passei. Quando penso naqueles tempos, não sei como passei todos aqueles exames sem falar bem português, um milagre. Gostei muito de meu tempo no Externato Pedro Doll. As crianças eram muito amigáveis e sempre ajudavam quando viam alguma dificuldade. Também tive ajuda do diretor e de uma professora, pois falavam alemão.

Lembro-me que não era a única alemã na escola. Muitas crianças moravam mais longe, tinham colegas que moravam no bairro de Tremembé que parecia ser colonizado por alemães. Perto de nossa casa em Sta. Terezinha também havia uma igreja luterana. O Pastor Filarski e suas freiras sempre inundados com pedidos de suporte, mas nunca se queixavam. Dava o seu tempo a todos e a qualquer hora.

A igrejinha era sempre bem apresentada e especialmente nos dias de Natal, Páscoa e Pentecoste. Tinha um grande grupo de jovens alemães que gostava de cantar. Um dos seus grupos foi cantar na Rádio Bandeirantes, na sua hora de música alemã. Dentro de pouco tempo os meus pais acharam outra casa.

Era um sobrado novo e moderno com uma casinha de empregada no jardim. Nós não tínhamos empregada, mas eu e minhas irmãs usamos o quartinho para brincar e convidar amigas. Quando morava ai fui matriculada no Ginásio Salete em Santana. Em Sta. Terezinha me lembro do ponto final do ônibus, onde havia uma pastelaria. Os seus pastéis de queijo eram os melhores do mundo.

Nunca mais na vida comi pastéis tão bons como estes. Ao lado da praça havia também um bar com restaurante cujos proprietários eram descendentes de alemães, Dona Hilda e Sr. Ernesto. A cerveja que serviam era muito boa porque todos os alemães do bairro e outros vinham aqui regularmente para beber e comer. A comida feita por Dona Hilda era deliciosa.

Para as crianças dos fregueses sempre havia alguma surpresa. Assim todos estavam contentes. Que boas lembranças. Estou vivendo na Inglaterra e tenho pouca oportunidade de falar português. Visitei São Paulo em 1993, 1994, 1999 e 2008. Espero voltar agora em 2010.

Saudades de São Paulo minha cidade!

Bárbara Kaudela

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