Nasci no interior de Minas, mais precisamente em Uberlândia, Triângulo Mineiro. Quando completei 12 anos meu pai comunicou à família (Minha mãe, meus dois irmãos e eu) que mudaríamos para São Paulo naquela semana. Foi um choque para mim, pois eu já estava acostumada ao colégio, às amigas, enfim meu pequeno mundo.
No dia 30/10/1957 chegávamos na Estação da Luz. Eu habituada à uma cidade interiorana de pouco movimento, fiquei abismada com o movimento que encontramos ali. Isto em 1957. Fomos para o Bairro do Ipiranga, onde morava a família de meu pai. Na Rua do Manifesto. Ali permanecemos por uns 15 dias, até encontrarmos casa para alugar.
Meu pai achou melhor que fôssemos morar no Bairro de Santana, pois ficava próximo ao Colégio onde ele queria que eu continuasse meus estudos. Colégio Santana (Freiras). E de seu ponto de Táxi na Av.Tiradentes.
Meu irmão Luiz foi para o Colégio Luiza de Marilac na Rua Voluntários, o outro era bebê, portanto ainda não estudava.
Sentia-me muito deslocada com tanta novidade. Colégio novo, professores muito diferentes, colegas estranhas, vizinhos gente nova, enfim tudo muito diverso. Logo no primeiro dia que fui para o colégio, imaginem que eu nem sabia onde era…Eu morava na Rua Dr. César, dali ao colégio deveria ser meio longe, mas quando cheguei na esquina da Rua Voluntários, encontrei com uma menina que vestia um uniforme igual ao meu, então criei coragem e perguntei a ela se estava indo para o Colégio Santana. Ela me respondeu que sim e disse se chamar Violeta. Ofereceu-me sua companhia. Foi muito gentil e atenciosa comigo. Na hora pensei: "Como o pessoal daqui é bacana!"
Porém com o passar do tempo, fui me acostumando e formando um ciclo pequeno de amigos.
Em 1958 eu passei a estudar no colégio Salete, pois era bem mais perto de casa. Ai aumentou ainda mais o número de meus conhecidos e amigos.
O comércio da Rua Voluntários era muito bom, lembro-me da Padaria do Comercio, da Estrela Polar, as Lojas Garbo, a Santana Chic, as Pernambucanas, a Loja Mantovani, da loja de calcados do Carlos Kherlakian, enfim muitas lojas e armazéns próximos, , onde comprávamos alimentos, roupas e calçados da moda. Na Dr. César quase esquina coma Rua Salete havia uma adega do italiano, onde comprávamos massa fresca, era tudo muito bom, meu pai amava o vinho deles.
Morávamos no nº. 396, então fiquei conhecendo a Ivone, uma menina que morava na mesma "vila", filha da D. Luiza, que se tornou minha grande amiga e que apesar da distância ainda temos contato por telefone e por e-mail. Tinha a Cida filha da D.Rosa, a Dagmar filha da D. Catarina, que faz aniversário em 16/11, me lembro fomos à festa, era prima do Elcio Palumbo que também morava na vila, enfim era muita gente boa. Pena que não tenho fotos daquela época, mas está tudo muito bem registrado na minha memória, lembro-me até da cor das casas. Ali na Dr. César tinham amigas e colegas de escola, como a Zulimar Chiari e suas primas que moravam na vila anterior à minha. Então comecei a gostar de "São Paulo".
Já nãa sentia tanta saudade de Uberlândia, não dava tempo, tantos eram os afazeres escolares.
Então meu pai resolveu se mudar para um Apartamento na Dr. César mesmo, mas não me importei porque continuava perto de tudo, eram apenas umas duas quadras mais adiante. Ai conheci a Marilene Bernucci, formamos um trio de garotas muito alegres e felizes, a Ivone , a Marilene e eu. Ainda éramos muito jovens e não pensávamos em namorar, mas sabíamos achar os meninos bonitos, tanto na escola como ali no bairro mesmo.
Ah! Fui colegas das irmãs Olga e a Sandra Geanine, se não me engano, o pai delas era dono da fábrica de Violões Gianine. A Sandra se casou com o Alberto cujo pai era dono da fabrica de Violões Di Giorgio.
O tempo foi passando devagar e conheci o José Luiz que morava no Imirim, era lindo! Começamos a nos flertar, isto durou quase um ano… afinal antigamente as coisas andavam lentamente, depois virou namoro mesmo. Foi um tempo maravilhoso. Ele trabalhava em uma firma que se chamava KOLM, ali na Dr. César mesmo, e estudava na Fundação Getulio Vargas. Através dele conheci sua família e tenho o maior carinho e amizade com elas até hoje, Maria Conceição, Ana Paula , Solange e etc….que amo muito como se fossem verdadeiramente minha família.
Nessa época já estava no 1º ano Contabilidade no Colégio Vitor Viana na Rua Leite de Moraes. Me formei lá.
Lá eu pertencia do Time de basquete do Prof.Amauri. O Diretor do colégio era o Prof.Aguinaldo Virginelli.
A condução que nos servia no Bairro eram, principalmente, os Trolebus (ônibus elétricos) que nos levavam até o Largo de São Bento.
Ah! Na Dr. César tinha uma quadra que era denominada Corinthinha…Lá aconteciam festas juninas muito animadas.
Com 14 anos comecei a me preparar para o trabalho. Cursos de taquigrafia, datilografia, enfim tudo que fosse necessário para arrumar o um trabalho. Logo comecei a trabalhar no Banco Federal de Crédito na Rua São Bento, que hoje faz parte do complexo ITAÚ.
Fui assídua freqüentadora dos Cines Hollywood e Vogue no Bairro, e do Clube Espéria.
Olhem, a vontade que dá é escrever… escrever sem parar, são muitas coisas boas para recordar…
Quem sabe depois eu crio coragem e conto mais coisas de Santana!!!
Tenho ainda familiares que moram na Dr. César… Eh Saudade! Amo essa cidade com paixão.
Hoje resido em Uberlândia – MG