Todos nós, na vida, temos um anjo da guarda. Eu também tenho um. Adelina Luizi Segretto. Uma mulher incrível, maravilhosa. Mãe de meus primos César e Ângela, foi casada com meu padrinho Domingos (Mingão). Minha tia Adelina ajudou minha mãe Cida a criar-me.
Morávamos no bairro do Cambuci, próximo ao Largo do Lavapés. Éramos uma família de descendentes de italianos, composta por meu pai, minhas tias Albertina, Adelina e Amélia. Minha mãe descendia de caboclo e índia, nascida na cidade de Casa Branca, interior de São Paulo.
Fazia parte da família meu cachorro suingue, um esperto vira-lata. Desde muito criança, minha tia Adelina dedicava um tempo de sua vida para conversar comigo, contar histórias, me levar para passeios na Praça da Rua São Paulo, no Museu do Ipiranga. No verão, aos domingos, toda a família viajava para Santos, para os tradicionais pic-nics na praia.
Aos seis anos de idade, por desentendimento entre minha mãe e uma vizinha, mudamos para a Vila Pompéia. Anos depois, minhas tias Adelina e Amélia casaram e minha tia/madrinha Albertina continuou vivendo mais um tempo conosco. Cresci nesse gostoso bairro e continuei convivendo com meu anjo da guarda.
Aos l4 anos perdi minha mãe. A partir desse triste momento, nos aproximamos mais. Meu pai casou-se novamente e sua nova mulher tornou-se minha “Mádrasta”, na acepção da palavra. De imediato nos desentendemos, e esse desentendimento gerou muita antipatia, muita raiva. Em certas ocasiões, ela me deixava sem comida, trancando armários e geladeira.
Nessas situações, eu recorria à casa de meu anjo da guarda. Passei, durante alguns anos maus bocados, até começar a trabalhar e obter minha total independência. César e Ângela nasceram. De imediato, fui cativado por aquela menininha linda, com um sorriso encantador.
Aos 19 anos, ela com oito, eu a levava, aos domingos, nas matinês matinais do cine Metrô, para assistir os desenhos animados de Tom e Jerry (ela), enquanto flertava com as jovens que levavam seus sobrinhos ou irmãozinhos. O tempo passou. Casei-me e minha tia Adelina nos recepcionou em sua casa, com bolo e uns poucos conhecidos.
Eu e minha esposa continuamos frequentando sua casa, durante muitos anos, sempre recebendo sua palavra amiga, seu carinho. Um dia Deus mandou busca-la e ela se foi, deixando em nossos corações um vazio muito grande e muita saudade.
Hoje mantenho contatos com sua filha Ângela, minha querida prima, e com seu marido Léo, um grande cara e ótimo amigo. Em nossos papos, recordamos as tardes alegres, de bolo e café, na casa de minha tia Adelina, na Vila Pompéia. Tenho certeza que ela continua olhando por nós, lá de cima. Um beijo, tia Adelina. Saudade de você.
E-mail do autor: [email protected]