Às vezes me pego pensando quais as vantagens e desvantagens do progresso. Sou paulistano nascido no bairro do Pari e passei minha infância no bairro da Penha. Tenho 46 anos e ainda me recordo dos passeios dominicais, tinha cinco anos, na Rua Miller. Uma rua ainda residencial, com calçadas largas, ruas de paralelepípedo, casas com varandas em vidro e um açougue com escadas para acesso.
Mais adiante um pouco, uma igreja com arquitetura centenária próximo a uma escola de padres chamada de Santo Antonio do Pari, onde meus irmãos mais velhos já eram alunos. Tenho lembranças de crianças brincando em calçadas, na praça, famílias unidas e de uma herança familiar baseada em valores como educação, respeito aos mais velhos e a Deus!
O Tempo passou, e já com 10 anos morava no bairro da Penha. Que Delicia! Lembro-me que participei de procissões na Rua Padre João. Deliciava-me com os pães da Padaria Yara e ao voltar do Externato São Vicente de Paulo, nunca deixei de comer aquele sonho cremoso da Doceria Modelo!
Missas aos domingos na Igreja da Penha, brincar de tobogã, comer pipoca e a caminhada até em casa com a família. Estas são lembranças de uma época que hoje faz parte de meus sonhos.
Nessa época, me lembro muito bem, brincávamos na rua até as 10 da noite, jogando bola, brincando de polícia e ladrão, pula-mula, pega-pega, mãe da lata, mãe da rua e outras… As ruas eram cheias de bicicletas.
O hábito do radinho de pilha! Na época, o jogo de futebol era fantasticamente narrado por Osmar Santos. Juntávamos na porta da garagem escutando e imaginando a emoção de um dia poder estar num espetáculo de futebol!
Mas o tempo passou, e hoje vejo o quanto nossas crianças seriam felizes se tivessem nascido naquela época! Hoje entre quatro paredes, sufocadas pela tecnologia e se guardando de uma violência em evolução. Brincadeiras de rua, bailes de garagem aos sábados e namoricos em um cinema foram substituídos por uma era digital de computadores, DVDs, play station, celulares com TV e relacionamentos em salas de bate papo.
Enfim, como dizia Cazuza, "O tempo não para" e não podemos desacelerar o fluxo natural e evolução da vida. Fica aqui registrado um pouco da infância de um paulistano cheia de estórias, de uma infância feliz e memorável.
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