Sou um tipo meio cosmopolita e, aliado a isso, tenho diferentes raízes e interesses. Nasci no Brasil, minha mais longínqua descendência conhecida é portuguesa (no livro "caminhando", uma das mais importantes historiadoras brasileiras – Nilza de Pontes – desenterra as origens de algumas das mais antigas famílias do país e lá esta a história dos Ramos de Pontes, sendo que nossa mais remota avó a chegar em terras brasileiras, no início do século XVIII, chamava-se Júlia da Caridade, nascida em Portugal). De outro lado, materno, meus avós (Bronquetti e Colombi) vieram da região de Turim, Itália, no final do século XIX.
Paralelo a isso, tenho uma filha vivendo em Madrid, na Espanha, e sou apaixonado pela França (embora não tenha livros de cabeceira, pois leio tudo, muito e sempre, atualmente estou novamente ruminando "Le rouge et le noir", de Stendhal, e, quando digo "ruminando", estou parafraseando Nietzsche que dizia que "comer, beber e principalmente ler, deve ser feito com calma, com paciência para que se busque nas palavras, nas linhas e entrelinhas tudo o que o autor realmente quis dizer").
Bom, essa introdução toda, é para falar de copa do mundo. Torço como um desesperado pelo Brasil (torcemos mais desesperados ainda, eu e meu filho João Victor, pelo Santos, mas isso fica pra depois) e sofro vendo as idiossincrasias do "treineiro" da seleção, que parece conhecer tão pouco do riscado. Aí, quando me parece que a seleção nacional vai fazer água, vai irremediavelmente naufragar, busco consolo nas minhas origens, penso nos meus antepassados, nas distantes origens, nas variadas emoções que outras nações me trazem, acho que se o pior acontecer – e aí vem a França! – dá pra continuar levando a vida sem traumas. Dá, é claro que dá, mas é chato. Muito chato!
E nesse será que vai, será que não vai; quando a esperança se confunde com a desesperança, saio andando por aí. Vendo as ruas da cidade, o verde amarelo que enfeita tudo, o sorriso de confiança dos torcedores. Nos parques – Ibirapuera, Trianon – as pessoas estão mais "boleiras" do que nunca. Garotas que normalmente não discutem futebol escalam o time, falam de ataques e contra ataques, de táticas mirabolantes e gols, muitos gols. É o Brasil e sua mais cara paixão de novo nas ruas. Impossível não se emocionar!