Histórias ocultas da Sé: Bilac

Bilac não era poeta. Bebia e "cambetiava" nos alvoreceres da praça.

Vez em quando, sob o sol forte da manhã, inda dormia sobre a grama ressequida, quando acordava num sopetão gritando que "era chegada a hora". Tremia, soluçava, repetia seu mantra, mas a hora parece que ainda não era chegada.

Então, ou dormia novamente, exausto, ou então se levantava e andava pela praça atrás de alguém que o auxiliasse a matar a fome, com um tostão que fosse, mas pedia de uma forma humilde que fazia dó.

Quando alguém lhe estendia a mão e cooperava com um trocado, ele parecia meio indeciso entre comprar algo sólido ou líquido; claro que a indecisão era fugaz e a cana sempre vencia, pois tem duas qualidades, engana a fome e tonteia, levando ao momentâneo esquecimento.

Aí, saciado, era esperar o renascer da angústia; o ressurgir da solidão. Mas Bilac não sabia disso, afinal, diferentemente de seu homônimo ilustre, Bilac não era poeta.

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