IV Centenário e estudos gratuitos

São Paulo quatrocentão, em 25 de janeiro de 1954. Muito planejamento para honrar a inestimável Grande Cidade. Desfiles, bandas, discursos chuvas de estrelinhas prateadas e douradas, e muito foguetório, o que meus familiares sempre se referiam como "dinheiro queimado."

Novidades como a inauguração do Parque do Ibirapuera. Nos jornais notícias que incessantes contavam e recontavam histórias e glórias, estatísticas, crônicas e demais manifestações apaixonadas à amada urbe. Nessas matérias surgiu uma notícia que o município, como parte de suas comemorações, pagaria integralmente os estudos das crianças nascidas naquela data. Minha mãe grávida e pertinho de ganhar nenê e meu pai começaram a torcida para ver se o filho nascia na data comemorativa do aniversário da cidade.

Segundo meus familiares, eu estava com muita preguiça em conhecer a "terra da garoa" e só fui nascer no dia 27. A cobrança e a gozação dos parentes e amigos têm me acompanhado pela vida. Acabei estudando tudo o que queria com a ajuda da família até os 17 anos e depois disso, foi por minha conta. Até hoje tenho uma curiosidade se alguém levou o prêmio. Procurei pesquisar para saber se existiu um decreto municipal do executivo ou do legislativo endossando as pretensões do prefeito à época. Ainda não tive esta resposta. Agradeço ao Nelson Souza Lima e sua filhinha Letícia em sua história de 11/09/2007 neste espaço, por proporcionar a inspiração para contar sobre o prêmio que não ganhei.

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