Está tragédia aconteceu nos anos 60, na Rua da Consolação, próximo à Alameda Jaú. Eu tinha 20 anos.
Entre a Alameda Jaú e Alameda Itu, existia uma fábrica de malhas, com muitos funcionários trabalhando. Hoje no local, esta construindo um prédio de luxo.
No fim do expediente, eu sempre via muitas moças e moços, saindo do trabalho. A fábrica tinha um bom movimento de clientes. Certo dia, ainda era de manhã, quando vários funcionários saíram da fábrica correndo e chamaram a policia.
Saindo da fabrica um rapaz com muita calma, sentou-se na porta da fabrica, e disse matei minha colega de trabalho. A policia chegou, ele não fez nenhuma resistência e se entregou.
No dia seguinte, li nos jornais o que realmente tinha acontecido dentro da fábrica. O rapaz com a policia disse que a mulher vivia falando mal da sua vida para todos os colegas de trabalho. Ele pedia para ela parar com essas fofocas. Até que não agüentou mais, e numa manhã, quando o pessoal chegava para o trabalho, ele deu uma facada no peito da mulher que morreu na hora.
Eu o vi sentado na porta da malharia, esperando a policia chegar com a maior calma, contando o que tinha acontecido. Foi mais uma tragédia nos Jardins.
O que mais me impressionou, foi a calma do assassino depois do crime, não mostrando nenhum arrependimento. Não sei se ele foi condenado, nunca mais ninguém disse nada a respeito do crime.
Depois de anos a fábrica foi vendida para uma construtora. Hoje tem um bonito prédio no local do crime. Está é mais uma história da cidade de São Paulo.
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