Filho que sou de pai europeu que cresceu em Fortaleza e mãe paraibana de João Pessoa, eu nasci em São Paulo no bairro do Brás, mas com um ano de idade minha família mudou-se para o Jardim Paulista, mais precisamente na Rua General Fonseca Telles.
Cresci jogando futebol na rua mesmo e meu grande companheiro era o Chiquinho (Inacio Araujo – crítico de cinema da Folha de São Paulo). Nossa escola ficava na mesma rua esquina da Rua General Mena Barreto e se chamava Escola Primavera.
A vida sempre foi uma delicia. Escola a uma quadra, futebol na rua e o balão do bonde também a uma quadra, na esquina da Rua Veneza com a Rua Antonio Bento. Neste balão do bonde, nunca faltava o sorveteiro da Kibon, naquele carrinho amarelo com guarda sol, e uma banca de jornal.
E apesar de meu pai já ter um carro que usava para ir trabalhar no Brás, eu, minha mãe e minha irmã andávamos de bonde mesmo. O Bonde 40 que subia a Pamplona, virava a direita na Paulista e a esquerda na Brigadeiro indo até seu ponto final no centro da cidade.
Era com esse bonde, cujo motorneiro era o Jacaré, que depois virou um soldado do Exército da Salvação, que íamos fazer compras, no centro ou na Pamplona, onde tinha papelaria, a farmácia e eu cortava o cabelo no barbeiro de lá.
Quando as compras eram maiores precisávamos ir ao centro. Principalmente ao Mappin da praça Ramos de Azevedo, onde havia de tudo.
Minhas festinhas de aniversário costumavam ser no salão de festas do Mappin. E ao lado do Mappin ficava a rua Conselheiro Crispiniano onde já existia uma loja Fotoptica, na qual eu viria a trabalhar anos depois.
Como eu era vesgo, com seis anos operei os olhos e comecei logo a usar óculos. Virei um quatro-olhos desde pequeno. Mas um quatro-olhos feliz, nesta cidade que aprendi a amar e que tantas alegrias me trouxe e muitas ainda há de trazer.
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