Dia desses, conversava com meus amigos sobre um assunto polêmico, talvez mais polêmico do que futebol, religião e política juntos: falávamos sobre "pizza".
Um dos amigos na mesa do bar contou-nos sobre sua experiência em viagem recente a Itália – que ele chama de "matriz", pois é descendente de italianos – com relação às pizzas locais: pizza é raridade na Itália, pelo menos no norte do país! A culinária italiana é tão rica, que a pizza ficou relegada a segundo plano, virou "comida de turista" ou especiaria.
Contou-nos ainda que somente no sul da Itália é que temos pizzas em abundância, em especial em Nápoles. Mais espanto ainda causou-nos a informação de que por lá, a pizza é "diferente": a massa é mais crocante (pois a farinha utilizada vem de um tipo de trigo que não temos por aqui), o molho não é tão abundante, é usado só para pincelar a massa, e que não há tantos tipos e variedades como aqui no Brasil. A mais difundida é a pizza "Margherita", criada em homenagem a uma regente italiana do mesmo nome, e que leva as cores da bandeira italiana: branco, verde e vermelho. Mas como assim? "Verde do manjericão, vermelho do molho de tomate e branco da legítima mozzarella feita com leite de búfala", disse ele, transformado imediatamente em Doutor PHD em pizza italiana. E ainda arrematou: "Os italianos que conhecem São Paulo acham uma heresia a variedade de pizzas que existem aqui, com as coberturas estranhas e nossa mussarela de queijo de vaca, bem amarelona".
De fato, temos nos deparado com pizzas bem estranhas aqui em São Paulo, fruto do modismo, coisas como "pizza japonesa, cogumelo shitake com tomate seco e alecrim"… "pizza pernambucana, cobertura de carne seca desfiada com purê de macaxeira"… "tomate seco com rúcula"… e dá-lhe criatividade!
E neste ponto, começamos uma discussão acalorada: onde se faz a melhor pizza do Brasil? Unanimidade: na maior cidade italiana do Brasil: São Paulo. Próxima questão na pauta da reunião: Qual a melhor pizzaria de São Paulo? Pronto, estava armada a confusão!
Como na famosa música do gênio Adoniran, era só pizza e bracciolla que voava no calor da discussão! Lembramo-nos de templos sagrados da culinária paulistana, como a Pizzaria São Pedro, na Mooca (que delícia!); outro mencionou a Pizzaria Camelo (logo rechaçado pela maioria, dizendo: "É pizza de magrelo de dieta, fininha que nem hóstia"!!!) e eu emendei logo com minha opinião: Pizza boa mesmo é na Speranza, no Bixiga!
A discussão entrou mais de hora noite adentro, acalorada, cheia de paixão com cada um defendendo sua preferência, e lá pela meia noite, alguém sabiamente olhou no relógio e gritou, interrompendo a contenda: "Pessoal, será que ainda dá tempo da gente ir comer umas pizzas?" Pronto, acabava a discussão, e ficava uma alegre certeza: em matéria de pizza, não há lugar como São Paulo, cidade de grande descendência italiana, para saborear uma redonda! Nem na Itália há pizza tão boa! E viva o Brasil, viva São Paulo, a minha – nossa – cidade!
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