Gatinho miau? Miau!!!

(entrando adolescência)

Quando meu primo mudou-se para São Paulo, foi morar em um prédio de quatro andares na Avenida Santo Amaro, no mesmo quarteirão em que eu morava.

Nesse apartamento havia dois quartos, sala, cozinha e banheiro. A sala ligava os quartos por meio de um grande e estreito corredor.

Sua extensão chegava a quase sete metros e tinha o pé direito bem alto, com mais de três metros. Sua largura era de 90 cm mais ou menos.

Era meio esquisito e parecia uma linguiça.

O quintal era pequeno 3 x 4.

Minha tia trabalhava de costureira escondido do marido dela.

E ela saía após o almoço e voltava antes das sete horas, quase junto com meu tio.

Quando a mãe dele saía, ele trazia toda a molecada em casa para aprontar.

Geralmente brincávamos de esconde-esconde.

Mas após duas ou três vezes não havia mais lugares para se esconder.

Na verdade não era esconde-esconde, acabamos dando um outro nome, "gatinho miau", pois um dia alguém inventou de imitar um gato e fazer miau. E assim ficou o nome.

Todos se escondiam e alguém devia procurar os demais como se fosse um gato, andando de quatro imitando um gato com os olhos vendados e miando.

Alguém saía procurando a todos e soltando miados para provocar risos e assim pelo som poderia saber em que direção ir.

Depois de algum tempo todos os lugares da casa já estavam manjados.

Não sei de quem foi a ideia, mas algum espírito de porco teve a ideia de subir nas paredes como se fosse uma aranha usando pés e mãos. Alguém conseguiu a façanha e subiu pelas paredes e ficou lá estacionado junto ao teto. Depois todo mundo foi aprendendo a subir.

Quem saía à procura, tinha que falar gatinho miau.

O mais gozado era que, ao responder gatinho miau, alguém ria e despencava em cima do coitado que estava procurando.

Aí era um riso geral.

Isso aconteceu diversas vezes. Todo mundo caía na risada e a brincadeira acabava.

O que não tinha hora para acabar era a bronca do meu tio, querendo descobrir os autores das marcas de pés que subiam pelas paredes.

Ele ficava intrigado com aquele monte de pés na parede. Tentava decifrar como tudo acontecia.

Por mais bronca que ele desse, o mistério nunca foi revelado.

Sempre que me lembro das cenas caio na risada.

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